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  <title>Balões de Poesia</title>
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  <description>O Blog dos novos poetas europeus</description>
  <language>pt</language>
  <pubDate>Sat, 02 Aug 2008 09:34:42 +01:00</pubDate>
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    <title>Nas asas de Matt: nova descolagem</title>
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    <pubDate>Fri, 01 Aug 2008 10:26:00 +02:00</pubDate>
    <dc:creator>ignnis</dc:creator>
        <category>Insólitos</category>
            
    <description>&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;FONT-SIZE: 12pt; FONT-FAMILY: 'Times New Roman'; mso-bidi-language: #00FF; mso-bidi-font-size: 10.0pt; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-ansi-language: #03FF; mso-fareast-language: #00FF&quot;&gt;Matt quer ganhar uns trocos,&lt;span style=&quot;mso-spacerun: yes&quot;&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;e quer faze-lo vendendo-nos a sua sardinha ou, no seu caso, a sua energia. Dois videos e uma ideia simples como só as boas ideias sabem sê-lo. Ele passa o dia a dançar e os vizinhos a... desfrutar!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    A poesia é a arte da sugestão e faz florir as emoções. A poesia separa-se das emoções para poder ligar-se entre elas. A poesia começa e acaba com um olhar sobre o Homem. A poesia tem uma linguagem múltipla e fresca, parece que acabou sempre de sair do duche. Proponho que vejam estes dois videos. Já deram a volta ao mundo e provavelmente estão a dar um bom mealheiro ao seu autor. Mas, finanças à parte, nestes dois trabalhos, libertam-se emoções que uma acção tão simples e partilhada pode suscitar a quem vê. A euforia interior aqui desvendada é uma mensagem dirigida a cada um de nós. Uma mensagem que nos coloca um pouco mais no caminho da fé nos Homens. Mais um golpe de poesia informal!
&lt;br&gt;
&lt;br&gt;
&lt;br&gt;&lt;object width=&quot;425&quot; height=&quot;344&quot;&gt;&lt;param name=&quot;movie&quot; value=&quot;http://www.youtube.com/v/bNF_P281Uu4&amp;hl=fr&amp;fs=1&quot;&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name=&quot;wmode&quot; value=&quot;transparent&quot;&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name=&quot;allowFullScreen&quot; value=&quot;true&quot;&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src=&quot;http://www.youtube.com/v/bNF_P281Uu4&amp;hl=fr&amp;fs=1&quot; type=&quot;application/x-shockwave-flash&quot; allowfullscreen=&quot;true&quot; wmode=&quot;transparent&quot; width=&quot;425&quot; height=&quot;344&quot;&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;
&lt;br&gt;
&lt;br&gt;
&lt;br&gt;&lt;object width=&quot;425&quot; height=&quot;344&quot;&gt;&lt;param name=&quot;movie&quot; value=&quot;http://www.youtube.com/v/zlfKdbWwruY&amp;hl=fr&amp;fs=1&quot;&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name=&quot;wmode&quot; value=&quot;transparent&quot;&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name=&quot;allowFullScreen&quot; value=&quot;true&quot;&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src=&quot;http://www.youtube.com/v/zlfKdbWwruY&amp;hl=fr&amp;fs=1&quot; type=&quot;application/x-shockwave-flash&quot; allowfullscreen=&quot;true&quot; wmode=&quot;transparent&quot; width=&quot;425&quot; height=&quot;344&quot;&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br&gt;</description>
    
    
    
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    <title>O São Jorge dos Livreiros Franceses</title>
    <link>http://poetry.cafebabel.com/pt/post/2008/04/22/El-Sant-Jordi-dels-llibreters</link>
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    <pubDate>Tue, 22 Apr 2008 05:05:00 +02:00</pubDate>
    <dc:creator>ignnis</dc:creator>
        <category>Geral</category>
            
    <description>&lt;strong&gt;Os livreiros independentes em França adoptaram a tradição do dia de São Jorge para defender o seu ofício e promover uma ‘autêntica democracia cultural’, em pleno mês de férias do livro na Europa.&lt;/strong&gt;    &lt;img title=&quot;O Cavaleiro São Jorge matando o dragão (Foto: Sebastià Giralt/Flickr)&quot; alt=&quot;&quot; src=&quot;http://www.cafebabel.com/photos/sebastiagiralt080429.jpg&quot; align=&quot;left&quot; /&gt;O Dia de São Jorge é uma das festas mais populares e apreciadas na Catalunha. Combina na perfeição diversos elementos: o tradicional, São Jorge é o patrono da Cataluña e o protagonista de uma lenda famosa, segundo a qual o Cavaleiro São Jorge enfrentou um dragão para salvar uma bela princesa; o cultural, pois o dia 23 de Abril coincide com a Festa do Livro; o sentimental, visto que este dia é um pouco a versão catalã da Festa de São Valentim; e por último o reivindicativo, já que durante a ditadura franquista, o 23 de Abril converteu-se em dia de luta simbólica em prol da democracia e das liberdades civis. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A UNESCO declarou o dia 23 de Abril, Dia Internacional do Livro. Desde há 10 anos que em França, o dia de São Jorge é também o dia dos livreiros independentes, esses que ainda lutam para que o seu ofício perdure como tal: aconselhar ao leitor com critérios distintos, para lá dos números de exemplares vendidos. Por este motivo, a associação francesa Verbes impulsiona o dia de “Sant Jordi” (São Jorge), celebrado cada ano no sábado seguinte ao 23 de Abril, uma medida para que a iniciativa chegue a mais gente. O objectivo principal é que as pessoas se familiarizem com as livrarias de bairro e se apropriem delas enquanto consumidores. Marie Rose Guarnieri é a responsável de Verbes é a proprietária da Livravria des Abesses, no Montmartre parisiense. Foi ela quem teve a iniciativa e quem fez o apelo aos demais livreiros independentes para que se juntem numa jornada festiva: cada ano, pelo São Jorge, oferecem uma rosa por cada venda efectuada. En 2007, a flor vinha acompanhada de um manifesto e de um guia invulgar de livreiros. Nesse guia recolheu-se todas as moradas das livrarias independentes de França, fazendo-se igualmente a descrição de cada uma delas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa ocasião, pedimos a Marie Rose que nos recomendasse algum poeta francês contemporâneo. Deixamos em baixo, as&amp;nbsp; sugestões da livreira:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Philippe Jaccottet: &lt;em&gt;Ce peu de bruits&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Natalie Quintane: &lt;em&gt;Grand ensemble&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Imagen: o Cavaleiro São Jorge matando o dragão (Sebastià Goralt/Flickr)&lt;/em&gt;</description>
    
    
    
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    <title>Thomas Nispola: surrealismo contemporâneo</title>
    <link>http://poetry.cafebabel.com/pt/post/2008/03/07/Thomas-Nispola-surrealismo-contemporaneo</link>
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    <pubDate>Mon, 10 Mar 2008 11:06:00 +01:00</pubDate>
    <dc:creator>ignnis</dc:creator>
        <category>Peças soltas</category>
            
    <description>&lt;strong&gt;Entre Allan Poe e Verlaine, passando pela geração dos 27 espanhola, Thomas Nispola, voz contemporânea de Toulouse, dá-nos a conhecer os seus versos repletos de inquietude. &lt;/strong&gt;    &lt;img title=&quot; Thomas Nispola, uma voz que se faz ouvir no panorama poético europeu (Photo, Anna Castellari)&quot; alt=&quot; Thomas Nispola, uma voz que se faz ouvir no panorama poético europeu (Photo, Anna Castellari)&quot; src=&quot;http://poetry.cafebabel.com/public/poetry/2314886991_f0b570be32_m.jpg&quot; align=&quot;left&quot; /&gt;Thomas Nispola guarda ainda o olhar descarado típico dos jovens poetas. Jornalista em Toulouse, redactor na revista &lt;a href=&quot;http://www.radici-press.net/%20onclick=&quot; false;? return window.open(this.href,?_blank?);&gt;Radici&lt;/a&gt;, uma revista de cultura e actualidade italiana, Thomas Nispola mantém os seus olhos bem abertos&amp;nbsp;para o&amp;nbsp;mundo: através dos seus versos desnudos, oferece-nos uma visão um pouco desenraizada da sociedade actual. Gosta de ir beber às fontes das tradições francesas, inglesas e espanholas: uma galvanização europeia concretizada durante o &lt;a href=&quot;http://poetry.cafebabel.com/it/post/2008/01/06/Terzo-Trieste-Poetry-Slam%20onclick=&quot; false;? return window.open(this.href,?_blank?);&gt;Festival Trieste Poetry Slam&lt;/a&gt; 2007. As suas imagens surrealistas furam o pensamento do leitor como se se tratassem das imagens de Buñuel. Em N&lt;em&gt;evermore&lt;/em&gt; Thomas Nispola conecta-se também às aliteração de Edgar Allan Poe e de Paul Verlaine. Por vezes irónico, por vezes angustiado, Nispola desperta no Homem moderno a angústia existencial. Isto, deve-se em parte ao som metálico e discordante de muitos dos seus versos, restituindo assim um papel concreto ao poeta, considerado à margem da sociedade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Publicamos de seguida alguns dos seus poemas que se leram durante o Trieste Poetry Slam. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há uma outra pessoa debaixo do meu olho &lt;br /&gt;Há uma outra pessoa anterior à minha cabeça &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Disse-o &lt;br /&gt;Disse-o para que se saiba &lt;br /&gt;Disse-o para que não se faça como se nada fosse &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há uma outra pessoa debaixo do meu olho &lt;br /&gt;Há uma outra pessoa anterior à minha cabeça &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No ideal, eu não estou a favor de ninguém &lt;br /&gt;No meu ideal, ninguém está a meu favor também &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No meu ideal, eu percorro os atalhos de uma montanha seca&lt;br /&gt;E o meu cão é uma criança do México &lt;br /&gt;
&lt;dd&gt;
&lt;dd&gt;que dá à luz tartarugas-fontes da pedra &lt;br /&gt;Dans mon idéal, sou o Sarde que se agacha um pouco na terra &lt;br /&gt;
&lt;dd&gt;
&lt;dd&gt;e apunhalá-la &lt;br /&gt;O Sarde que se serve com os lábios juntos &lt;br /&gt;Porque sabe que não falamos à terra &lt;br /&gt;E muito menos aos homens &lt;br /&gt;No meu ideal, o tempo torna-se o tempo de uma raiz &lt;br /&gt;O tempo torna-se uma raiz que entra numa água que entra num homem &lt;br /&gt;E que procura o instruso&lt;br /&gt;Porque conhece as redes tácticas que ligam a tripa à alma e o fígado à palavra &lt;br /&gt;
&lt;dd&gt;Raiz Busca&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meu ideal, sou eu numa cidade onde ando e engenho o modo para desmontar os imbecis &lt;br /&gt;Sou eu quem anda e quem engenha o modo de dizer o que é um anarca &lt;br /&gt;Sou eu que ando e que me torno um pouco menos podre &lt;br /&gt;Cada passo faz-me aproximar da velocidade da luz&lt;br /&gt;Cada passo prolonga um pouco a minha vida&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde que os meus pés dediciram pela minha cabeça&lt;br /&gt;Desde que o tempo não tem mais patrão&lt;br /&gt;
&lt;dd&gt;
&lt;dd&gt;
&lt;dd&gt;e decidiu pelos meus pés&lt;br /&gt;Desde que estou à mercê do tempo, ao seu serviço, e entre as suas mãos boas &lt;br /&gt;Às vezes tenho a cabeça um pouco debruçada sobre o peito do meu ideal&lt;br /&gt;Para contemplar o horror dos pavilhões e o pretexto dos ciganos &lt;br /&gt;Para ver os círculos traçados nos campos que fizeram o homem &lt;br /&gt;
&lt;dd&gt;
&lt;dd&gt;
&lt;dd&gt;em casa dos pais dos fazedores de tartarugas&lt;br /&gt;Os campos que agora fazem galinhas!&lt;br /&gt;Tenho a cabeça debruçada para ver esses círculos &lt;br /&gt;E os círculos que eles desenham nos teus olhos quando te falo&lt;br /&gt;E eu peço para lá estar &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olho à minha volta. Não estou nos círculos.&lt;br /&gt;
&lt;dd&gt;
&lt;dd&gt;
&lt;dd&gt;e estou sozinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando acabam de me falar&lt;br /&gt;
&lt;dd&gt;
&lt;dd&gt;
&lt;dd&gt;O cervo reencarna-se &lt;br /&gt;
&lt;dd&gt;De uma flecha do seu coração&lt;br /&gt;De um feixe vermelho que jorra da cabeça &lt;br /&gt;Levanto-me à pressa e vou-me embora&lt;br /&gt;Para que ninguém fale em meu lugar &lt;br /&gt;Àquela pessoa que eu gosto e que tatuou a sua bochecha .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Já não somos mais poetas &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já não somos mais poetas &lt;br /&gt;Somos corvos &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já não somos mais poetas &lt;br /&gt;Somos corvos &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já não somos mais poetas &lt;br /&gt;Somos corvos &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E nós vemos as linhas de cima &lt;br /&gt;
&lt;dd&gt;
&lt;dd&gt;telefónicas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já não somos mais poetas &lt;br /&gt;Somos corvos &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E nós vemos-te &lt;br /&gt;
&lt;dd&gt;por cima dos fios &lt;br /&gt;
&lt;dd&gt;
&lt;dd&gt;de electricidade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já não somos mais poetas &lt;br /&gt;Somos corvos &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E nós vemos-te &lt;br /&gt;
&lt;dd&gt;
&lt;dd&gt;empuleirados nas antenas&lt;br /&gt;
&lt;dd&gt;de televisão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já não somos mais poetas &lt;br /&gt;Somos corvos &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E vemos-te lá dos campos onde nós respigamos &lt;br /&gt;Assim que tu passas com &lt;br /&gt;
&lt;dd&gt;
&lt;dd&gt;
&lt;dd&gt;o teu carro e vais&lt;br /&gt;pagar-te o direito&lt;br /&gt;de circular &lt;br /&gt;num carro &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já não somos mais poetas &lt;br /&gt;Somos corvos &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E vemos-te entrar nas escolas nos Domingos de Maio &lt;br /&gt;E pisar onze papeis&lt;br /&gt;Para designar o chefe de uma multidão &lt;br /&gt;Somos corvos &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não temos chefe &lt;br /&gt;
&lt;dd&gt;
&lt;dd&gt;
&lt;dd&gt;As estações&lt;br /&gt;conhecem-nos&lt;br /&gt;Elas nunca te viram &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já não somos mais poetas &lt;br /&gt;Somos corvos &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ao que parece vivemos muito tempo, hein!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tu nunca o vais saber &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Preferes meter entre ti e nós &lt;br /&gt;
&lt;dd&gt;
&lt;dd&gt;um pára-choque&lt;br /&gt;de aplausos, de razões de ser &lt;br /&gt;conselheiros do Findo de Desemprego, fios, fios, fios, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Preferes meter entre ti e nós &lt;br /&gt;
&lt;dd&gt;
&lt;dd&gt;livros&lt;br /&gt;dias&lt;br /&gt;e René Char sob o plástico &lt;br /&gt;
&lt;dd&gt;
&lt;dd&gt;
&lt;dd&gt;
&lt;dd&gt;debaixo de dois DVD porno&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já não somos mais poetas &lt;br /&gt;Somos corvos &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E as línguas não nos prendem &lt;br /&gt;As línguas desligam-nos e nós desligamo-las &lt;br /&gt;É impossível fazerem-nos reféns ao mesmo tempo que uma língua &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já não somos mais poetas &lt;br /&gt;Somos corvos &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, às vezes, encontramo-vos &lt;br /&gt;
&lt;dd&gt;
&lt;dd&gt;A três, a sete ou a cem mil &lt;br /&gt;
&lt;dd&gt;Lá onde tu nunca irias imaginar&lt;br /&gt;
&lt;dd&gt;Uma algazarra doida&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já não somos mais poetas &lt;br /&gt;Somos corvos &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E estoiramo-nos os olhos a nós próprios&lt;br /&gt;Para escapar à tirania do arco-iris &lt;br /&gt;E para libertar o espectro &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já não somos mais poetas &lt;br /&gt;Somos corvos &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E andamos atrás de ti&lt;br /&gt;Quando estás seguro do teu caminho com o teu fio &lt;br /&gt;Quando tu lhe explicas a vida &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já não somos mais poetas &lt;br /&gt;Somos corvos &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E entraremos pela tua janela uma noite &lt;br /&gt;
&lt;dd&gt;
&lt;dd&gt;Para que te tornes louco&lt;br /&gt;E a todas as tuas perguntas&lt;br /&gt;Responderemos &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nevermore&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Tradução do francês de Tânia Ribeiro)&lt;/dd&gt;
&lt;dd&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Todas as primeiras terças –feiras de cada mês, Thomas Nispola e a Associação Hélicon organizam sessões de slam poético no café Le Celtic, em Tarbes. «Com a Hélicon, tentamos divulgar a cultura e encorajar todos aqueles que têm vontade a fazer cultura”, assegura Nispola. Todas as noites são gratuitas e a participação é livre: slam, projecções de filmes na presença dos realizadores, sessões de &lt;em&gt;funk&lt;/em&gt;, teatro... « A nossa ambição é ultrapassar as divisões estilísticas e geracionais ».&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot;&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div&gt;&lt;object width=&quot;420&quot; height=&quot;339&quot;&gt;&lt;param name=&quot;movie&quot; value=&quot;http://dailymotion.alice.it/swf/x47k57&quot; /&gt;&lt;param name=&quot;allowFullScreen&quot; value=&quot;true&quot; /&gt;&lt;param name=&quot;allowScriptAccess&quot; value=&quot;always&quot; /&gt;&lt;embed src=&quot;http://dailymotion.alice.it/swf/x47k57&quot; type=&quot;application/x-shockwave-flash&quot; width=&quot;420&quot; height=&quot;339&quot; allowFullScreen=&quot;true&quot; allowScriptAccess=&quot;always&quot;&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;a href=&quot;http://dailymotion.alice.it/swf/x47k57&quot;&gt;slam celtic tarbes hélicon&lt;/a&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;par &lt;a href=&quot;http://www.dailymotion.com/bc66a58c1d6e137356e954e1c&quot;&gt;bc66a58c1d6e137356e954e1c&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;slam au Celtic de Tarbes - Hélicon&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;/dd&gt;</description>
    
    
    
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    <title>António Gamoneda: “A poesia não muda o mundo, mas lima e intensifica as consciências”</title>
    <link>http://poetry.cafebabel.com/pt/post/2008/03/03/Antonio-Gamoneda%3A-La-poesia-no-cambia-el-mundo-pero-afina-e-intensifica-las-conciencias</link>
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    <pubDate>Mon, 03 Mar 2008 10:50:00 +01:00</pubDate>
    <dc:creator>ignnis</dc:creator>
        <category>Geral</category>
            
    <description>&lt;strong&gt;Num dos principais hotéis de São Roque (em Andaluzia, Espanha) António Gamoneda (76 anos) aproveita para descansar, antes de proferir a sua conferência. Durante esta pausa, tivemos oportunidade de falar com este soberano criador, que ainda surpreende pela sua capacidade comunicativa e poética, mas também pela sua humildade sem adornos.&lt;/strong&gt;    &lt;img title=&quot; O poeta espanhol António Gamoneda, vencedor do Prémio Europeu de Literatura e do Prémio Cervantes 2006 (photo, elenac/flickr)&quot; alt=&quot;O poeta espanhol António Gamoneda, vencedor do Prémio Europeu de Literatura e do Prémio Cervantes 2006 (photo, elenac/flickr)&quot; src=&quot;http://www.cafebabel.com/photos/gamoneda030308.jpg&quot; align=&quot;left&quot; /&gt;« Desconfio, por vezes, que a melhor poesia de Europa está em Portugal. » São as palavras do vencedor do &lt;a href=&quot;http://eur-lex.europa.eu/LexUriServ/LexUriServ.do?uri=OJ:C:2007:163:0007:0009:ES:PDF&quot; target=&quot;“_blank&quot; ”&gt;Prémio Europeu de Literatura 2006&lt;/a&gt; e do &lt;a href=&quot;http://www.mcu.es/premios/CervantesPresentacion.html&quot; target=&quot;”_blank&quot; ”&gt;Prémio Cervantes &lt;/a&gt;(a recompensa literária mais importante da comunidade hipânica): o espanhol António Gamoneda. No que concerne a produção literária espanhola, a opinião do poeta diverge: “ Creio que a Espanha não ocupa um lugar de grande destaque no conjunto da literatura da Europa e sobretudo no conjunto da literatura europeia”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Um poeta provinciano&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os Prémios recebidos revolucionaram a vida pacata deste autor que se define como um &quot;poeta provinciano &quot;. Participante na &lt;a href=&quot;http://fr.wikipedia.org/wiki/Guerre_d'Espagne&quot; target=&quot;»_blank&quot; »&gt;Guerra Civil Espanhola&lt;/a&gt;, António Gamoneda garante que agora procura buscar momentos de tranquilidade no meio de todas as suas viagens e actos honoríficos. &quot;Agora, acontece que me encapsulo para trabalhar até nos comboios&quot;, comenta. Uma destas viagens acaba por o trazer a São Roque (Andaluzia), antes de seguir para a Grécia, Itália e para alguns países Árabes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gamoneda pesa bem as suas palavras antes de falar, controla o seu vocabulário com um ritmo lento. Todavia, a sua lucidez contraria o rosto enrrugado. Rugas provocadas por décadas de literatura e das lembranças de infância, cujo registo – sob forma de memórias – verão a luz do dia nas semanas que se seguem. « Elas estão teoricamente acabadas, mas eu conheço-me bem e sei que a qualquer momento posso não as corrigir, mas voltar a reescreve-las novamente. O texto espera pela chegada de um relatório jurídico favorável, porque nestas memórias, onde as verdades não se escondem – mesmo aquelas que jogam contra mim -, falam também de factos impotáveis a terceiros», confessa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que pensa este poeta já com alguma idade dos fenómenos como a internet ou a globalização? «Nunca vi uma única página da Internet. Não sei o que é. Creio que no campo, um poeta pode encontrar a medida justa da solidão que precisa. Sem que para isso se desprenda ou se oponha aos sentimentos de amizade e de solidariedade intrínsecos às relações humanas, em geral. » No entanto, a solidão é predominante na sua vida. « penso que um poeta tem necessidade de solidão, de silêncio, de folhas em branco. » &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Testemunho da Guerra Civil Espanhola&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dos tempos difíceis da Guerra, este homem de letras lembra que via passar, debaixo da sua janela, todos os dias, longas filas de prisioneiros. «mas nunca os via regressar”. António Gamoneda recorda, ao mesmo tempo, o choro inconsolado das mulheres, quando, a meio da noite, lhes desviavam os maridos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estas experiências, aliadas a condições de vida modestas, levaram António Gamoneda, a forjar uma visão particular de existência, que o conduziu, nos anos 50 do século passado, à geração da poesia social espanhola, para depois de separar dela e desligar-se de todos os movimentos ou etiquetas do universo da escrita. « A poesia é uma arma carregada de futuro, ecrevia o mítico poeta espanhol Gabriel Celaya. O pobre&lt;a href=&quot;http://www.evene.fr/celebre/biographie/gabriel-celaya-1702.php&quot; target=&quot;”_blank&quot; ”&gt;Gabriel Celaya&lt;/a&gt;, excelente pessoa, aliás, não se dava conta, que ele dizia praticamente a mesma coisa que &lt;a href=&quot;http://es.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_Antonio_Primo_de_Rivera&quot; target=&quot;”_blank&quot; ”&gt;José Antonio Primo de Rivera&lt;/a&gt;, o principal pensador do fascismo espanhol e que afirmava que só os poetas eram capazes de mudar os povos’. As duas coisas são falsas. Gostava que fosse assim, mas a realidade é outra. A poesia não é capaz de inspirar as mudanças sociais ou históricas. Não é um instrumento. A poesia lima e intensifica as consciências. Ela cria uma qualidade de pensamento ligada à observação e à critica, com o desejo que isso seja simultaneamente bonito e justo. » &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A vida dos cheiros&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No seu mundo privado, nas suas memórias intituladas &lt;em&gt;Un armario lleno de sombras&lt;/em&gt; (&lt;em&gt;Um armário cheio de sombras &lt;/em&gt;) surge sempre uma imagem , um cheiro, que torna a vida um ser já morto. Um perfume sai deste armário e António não hesita em recorda-lo: «A minha mãe morreu e este armário ficou fechado durante dois ou três anos. Certo dia em estava em casa e decidi abri-lo. O que estava lá dentro era uma grande escuridão. O próprio quarto estava emergido na escuridão, não recebi um único foco de luz, estava cheio de sombras. Mas o que eu recebi desse armário, foi uma sensação, uma das experiências mais marcantes da minha vida. Mal enfiei a cabeça lá dentro, pude recuperar imediatamente o cheiro da minha mãe quando ela estava viva. O cheiro dela tinha ficado lá, impregnado. A minha mãe tinha morrido há três anos e eu pude sentir o seu cheiro Foi muito comovente. De uma forma ou de outra, a redescoberta do conteúdo desse armário, permitiu-me recuperar as minhas próprias memórias. » &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Publicamos agora dois poemas de António Gamoneda&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Caí sobre uma mãos&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;quando não sabia &lt;br /&gt;ainda que vivia nas mãos &lt;br /&gt;Elas passaram sobre o meu rosto e o meu coração. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Senti que a noite era doce&lt;br /&gt;como um leite silencioso. E grande. &lt;br /&gt;Muito mais que a minha vida. &lt;br /&gt;
&lt;dd&gt;
&lt;dd&gt;Mãe : &lt;br /&gt;Eras as tuas mãos e a noite juntas. &lt;br /&gt;Aqui está o porquê da solidão gostar de mim. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não me lembro, mas está comigo. &lt;br /&gt;Existe, no esquecimento &lt;br /&gt;Encontram-se as mãos e a noite. &lt;br /&gt;
&lt;dd&gt;
&lt;dd&gt;Ás vezes, &lt;br /&gt;Quando a minha cabeça se debruça sobre a terra &lt;br /&gt;Não posso mais e está vazio&lt;br /&gt;o mundo. Algumas vezes, sobe o esquecimento&lt;br /&gt;até ao coração. &lt;br /&gt;
&lt;dd&gt;Eu ajoelho-me&lt;br /&gt;Para poder respirar sobre as tuas mãos. &lt;br /&gt;
&lt;dd&gt;
&lt;dd&gt;Eu desço&lt;br /&gt;e tu escondes o meu rosto; e eu sou tão pequenino; &lt;br /&gt;e as tuas mãos tão grandes; e a noite&lt;br /&gt;vem mais uma vez, vem mais outra. &lt;br /&gt;
&lt;dd&gt;
&lt;dd&gt;Eu descanso&lt;br /&gt;de ser um homem, eu descanso de ser um homem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*****&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As quantidades de tempo&lt;br /&gt;situam as quantidades de sons. &lt;br /&gt;Oiço-os para lá da morte. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A música eleva-se&lt;br /&gt;de um poço de silêncio; &lt;br /&gt;é lavoura de ar &lt;br /&gt;em tímpanos de fogo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e isso entrou em mim. &lt;br /&gt;E agora a música é o meu pensamento &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div align=&quot;center&quot;&gt;&lt;strong&gt;Gamoneda recebe o Prémio Cervantes&lt;/strong&gt;
&lt;object width=&quot;425&quot; height=&quot;355&quot;&gt;&lt;param name=&quot;movie&quot; value=&quot;http://www.youtube.com/v/A3UjVymh3nA&quot;&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name=&quot;wmode&quot; value=&quot;transparent&quot;&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src=&quot;http://www.youtube.com/v/A3UjVymh3nA&quot; type=&quot;application/x-shockwave-flash&quot; wmode=&quot;transparent&quot; width=&quot;425&quot; height=&quot;355&quot;&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div/&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Entrevista realizada por Jorge Guérrez Torrejón - Huelva (Espagne)&lt;/strong&gt;&lt;/dd&gt;</description>
    
    
    
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    <title>Será a Constituição um poema, ou não?</title>
    <link>http://poetry.cafebabel.com/pt/post/2008/01/24/La-Constitucion-sera-un-poema-o-no-sera</link>
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    <pubDate>Thu, 24 Jan 2008 21:11:00 +01:00</pubDate>
    <dc:creator>ignnis</dc:creator>
        <category>Insólitos</category>
            
    <description>&lt;strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;strong&gt;Dia 31 de Janeiro – Jornada da Poesia - em Bruxelas, às 11h30m,&amp;nbsp;vários poetas da capital europeia apresentarão no Parlamento Europeu&amp;nbsp;o Preâmbulo e os primeiros artigos da Constituição,&amp;nbsp;na&amp;nbsp;versão versificada.&lt;/strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/strong&gt;    Estamos a assistir a&amp;nbsp;um gesto de bravura e de compromisso político por parte de alguns&amp;nbsp;poetas europeus. Empenhados no desafio de fazer&amp;nbsp;ressuscitar a infeliz Constituição Europeia,&amp;nbsp;a&amp;nbsp;inovação deste colectivo,&amp;nbsp;passa por (re)escrever a Constituição, só que desta&amp;nbsp;vez,&amp;nbsp;em verso! David Reybrouck, Peter Vermeersch, Geert van Istendael, o cantor de rap &lt;a href=&quot;http://www.manza-rafik.be/&quot; target=&quot;”_blank&quot; ”&gt;Manza&lt;/a&gt;, Laurence Vielle e &lt;a href=&quot;http://www.xavierqueipo.com/&quot; target=&quot;”_blank&quot; ”&gt;Xavier Queipo&lt;/a&gt; são alguns dos&amp;nbsp;dinamizadores desta iniciativa inédita. A Constituição poética pretende “trazer para o devido lugar a discussão sobre os princípios fundamentais da Europa: a esfera pública dos cidadãos livres e interessados”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A ideia nasceu há alguns meses” na &lt;a href=&quot;http://www.passaporta.be/site/?page=home&quot; target=&quot;”_blank&quot; ”&gt;Passa Porta&lt;/a&gt;, a Casa Internacional da Literatura de Bruxelas, como nos informa Piot Joostens, o seu responsável de imprensa. Nasceu também da “ vontade de que a Constituição seja versificada em diferentes línguas, entre as quais figura já, o holandês e até mesmo o galaico”. O colectivo precisa: “ é a primeira vez que nós nos lançamos nesta aventura. Esta de versificar textos legais, centrando-nos principalmente nos aspectos simbólicos, mais do que os técnicos”. Um ponto confirmado pelo poeta espanhol Xavier Queipo, que está, neste momento, a escrever um artigo em verso sobre a composição dos povos da Europa e um outro sobre as línguas. Queipo escreve em galaico, língua oficial em Espanha, mas que ainda não o é no seio da U.E. O poeta insiste no facto de que a versificação “nem sempre é ao estilo clássico, muitas vezes dá-se rédea solta aos versos”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img title=&quot;Xavier Queipo (Photo, Ce Tomé)&quot; alt=&quot;Xavier Queipo (Photo, Ce Tomé)&quot; src=&quot;http://www.cafebabel.com/photos/xavierqueipo240108.jpg&quot; align=&quot;left&quot; /&gt;“Por agora concentramo-nos nos princípios, porque aquilo que mais nos interessa são as bases da vida em comum ”, explica-nos Queipo, sublinhando que o grupo começou por ler outras Constituições, como por exemplo, a sul-africana. “ O falhanço da Constituição Europeia e a desordem política na Bélgica – que ficou mais de seis meses sem governo – levou-nos a tomar esta iniciativa”, conta-nos Queipo. “Porque os políticos falharam, agora dirigimo-nos aos povos, e não ao estatuto de mandarins da política”, conclui este biólogo e escritor, que vive em Bruxelas desde 1989, e cuja actividade criativa nasceu na época em que trabalhava como médico nos barcos dos pescadores que cruzavam o Ártico. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Abril de 2009 –dois meses antes das próximas eleições europeias- será apresentada solenemente a Declaração da Constituição Europeia em verso. Está previsto também a sua publicação, que deve ser divulgada pela Europalia e pelo Movimento Europeu da Bélgica - os grandes impulsionadores da iniciativa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para assistir às cerimónias ou para ter mais informações, escreva para &lt;a href=&quot;http://poetry.cafebabel.com/pt/post/2008/01/24/mailto:vanwayenbergh@europese-beweging.be&quot;&gt;vanwayenbergh@europese-beweging.be&lt;/a&gt; ou ligue 0032 (0)2 231 06 22.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Xavier Queipo (Foto, Ce Tomé)&lt;/em&gt;</description>
    
    
    
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    <title>Em memória de Henri Chopin e Jordi Pope</title>
    <link>http://poetry.cafebabel.com/pt/post/2008/01/14/En-memoria-de-3-poetes%3A-Henri-Chopin-Jordi-Pope-i-Ray-Jonson</link>
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    <pubDate>Tue, 15 Jan 2008 12:00:00 +01:00</pubDate>
    <dc:creator>ignnis</dc:creator>
        <category>Efemeridades</category>
            
    <description>&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Alguns estudos começam a prová-lo. As pessoas morrem mais, depois das festas de fim de ano. Os poetas, sempre mais vulneráveis a tudo, não são excepção. Este mês, perdemos a presença de duas personagens inimitáveis da poesia contemporânea: Henri Chopin e Jordi Pope.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;    &lt;strong&gt;Henri Chopin (1922-2008)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;“Uma poesia sem corpo e sem voz é uma poesia amputada”&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img title=&quot; Henri Pope durante uma das suas performances (photo, sfd vpa)&quot; alt=&quot; Henri Pope durante uma das suas performances (photo, sfd vpa)&quot; src=&quot;http://www.cafebabel.com/photos/chopin_perform150108.jpg&quot; align=&quot;left&quot; /&gt; Foi um dos pais da poesia sonora, um dos poetas mais radicais da poesia europeia do século XX. O poeta do som e do corpo, o poeta contra a escrita, o poeta que se aventurou no corpo e na tecnologia, o poeta que descobriu que havia um mundo inteiro a descobrir e uma nova maneira de escrever para explicar. Com Bernard Heidsieck e François Drufêne, o poeta que começou a introduzir a tecnologia na poesia contemporanêa, o único poeta que nunca publicou livros. Poeta de corpo e de voz, poeta do momento actual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A civilização do papel está a morrer”, gostava de afirmar. Poeta francês que nos deixou a 13 de Janeiro, em Dereham (Reino Unido). Tinha 85 anos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Para o conhecerem melhor, propomos estes links: &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;http://www.ubu.com/sound/chopin.html&lt;br /&gt;http://www.sfd.at/henrichopin&lt;br /&gt;http://blog.wfmu.org/freeform/2006/02/henri_chopin_fi.html&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Jordi Pope (1953-2008)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;“A não reflexão, a nudez dos vómitos”&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img title=&quot;Jordi Pope (cyberpoem)&quot; alt=&quot;Jordi Pope (cyberpoem)&quot; src=&quot;http://www.cafebabel.com/photos/5popecyberpoem150108.jpg&quot; align=&quot;left&quot; /&gt; Na madrugada de 10 Janeiro último, morreu uma figura incontornável da poesia de Barcelona, que brilhava desde os anos 70. Camarada de aventuras literárias de Joan Vinuesa, Enric Casasses, David Castillo e outros autores do boom catalão das últimas décadas, Jordi Pope, foi o fundador do movimento &lt;em&gt;o así&lt;/em&gt; (« ou assim »). O poeta da investigação, a personalidade posta de lado na contracultura, era o incomodo feito verso, a fragilidade feita corpo..&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Aqui ficam alguns links para o (re) descobrirem:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;http://www.xtec.es/~rsalvo/articles/pope.htm&lt;br /&gt;http://www.propost.org/escoffet/articles_pope.htm&lt;br /&gt;http://www.cyberpoem.com/poets/pope.htm&lt;br /&gt;</description>
    
    
    
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    <title>AJO: Striptease Cardiovascular à base de micro-poesia</title>
    <link>http://poetry.cafebabel.com/pt/post/2008/01/11/AJO%3A-Striptease-cardiovascular-a-base-de-micro-poesia</link>
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    <pubDate>Fri, 11 Jan 2008 03:47:00 +01:00</pubDate>
    <dc:creator>ignnis</dc:creator>
        <category>Os últimos serão os melhores</category>
            
    <description>&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Striptease Cardiovascular é o nome do espectáculo da micro-poeta espanhola AJO. A sua obra é rainha nas noites underground de Madrid. Quanto aos seus dardos poéticos, eles representam uma ode à liberdade criativa sem igual: subtil, ajustada, concreta, mordaz. Pura irreverência face aos formalismos líricos. AJO, é a extra académica que os académicos não vão querer perder mais de vista.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;    &lt;object width=&quot;425&quot; height=&quot;373&quot;&gt;&lt;param name=&quot;movie&quot; value=&quot;http://www.youtube.com/v/jWLM6qGTF8c&amp;rel=1&amp;border=1&quot;&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name=&quot;wmode&quot; value=&quot;transparent&quot;&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src=&quot;http://www.youtube.com/v/jWLM6qGTF8c&amp;rel=1&amp;border=1&quot; type=&quot;application/x-shockwave-flash&quot; wmode=&quot;transparent&quot; width=&quot;425&quot; height=&quot;373&quot;&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;“Desculpa se te pedi pêras, não sabia que eras um olmo” ou então “Sempre te adorei e não me importa se a pimenta do momento não rima, mas vai rimar com o tempo”, são algumas das suas pérolas. Há até mesmo personalidades politicas do actual governo de Rodríguez Zapatero, como a ex-ministra da cultura, Carmen Calvo, a declararem-se fans destes &lt;em&gt;hits&lt;/em&gt; micro-poéticos. Segundo a ex ministra, AJO é “jovem, brilhante, atroz mas muito lúcida”. Os poemas de AJO são curtíssimos, como os haiki informais que ela declama em ambientes de cabaret, onde passa da alegria à tristeza mais profunda, ou vice-versa. Um género de espectáculo que nós ainda aguardamos deste lado da fronteira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta micro- poetisa é também música e letrista. Nos anos 90 fundou um grupo rock experimental &lt;a href=&quot;http://www.experimentaclub.com/data/mil_dolores/index.htm&quot; target=&quot;”_blank&quot; ”&gt;Mil Dolores Pequeños&lt;/a&gt; e a casa de discos independentes Por Caridad Producciones. Foi nesta altura que editou também quatro albums, nomeadamente o &lt;em&gt;single De la piel pa’dentro mando yo&lt;/em&gt;, interpretado conjuntamente com o filósofo e escritor&lt;a href=&quot;http://es.wikipedia.org/wiki/Antonio_Escohotado&quot; target=&quot;”_blank&quot; ”&gt;Antonio Escohotado&lt;/a&gt;. Hoje, AJO é uma das organizadoras do festival de música experimental &lt;a href=&quot;http://www.experimentaclub.com/festprog07.htm&quot; target=&quot;”_blank&quot; ”&gt;Experimentaclub&lt;/a&gt; de Madrid.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em seguida, damos a conhecer as cidades que vão receber os próximos espetáculos poético-musicais do dueto que forma AJO e um dos mais reputados multi-instrumentalistas da cena musical independente espanhola, &lt;a href=&quot;http://es.wikipedia.org/wiki/Nacho_Mastretta&quot; target=&quot;”_blank&quot;&gt;Nacho Mastretta&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;12 de Janeiro de 2008 / 20h. / Auditório Corralero (Fuerteventura, Canarias)&lt;br /&gt;26 de Janeiro de 2008 / 21h. / Teatro El Albéitar (León)&lt;br /&gt;28 de Janeiro de 2008 / 20h. / Círculo de Bellas Artes-Sala de Columnas (Madrid)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;
&lt;object width=&quot;425&quot; height=&quot;373&quot;&gt;&lt;param name=&quot;movie&quot; value=&quot;http://www.youtube.com/v/9OzqjuwfFk0&amp;rel=1&amp;border=1&quot;&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name=&quot;wmode&quot; value=&quot;transparent&quot;&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src=&quot;http://www.youtube.com/v/9OzqjuwfFk0&amp;rel=1&amp;border=1&quot; type=&quot;application/x-shockwave-flash&quot; wmode=&quot;transparent&quot; width=&quot;425&quot; height=&quot;373&quot;&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;</description>
    
    
    
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    <title>Trieste: Poetry Slam</title>
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    <pubDate>Mon, 07 Jan 2008 17:45:00 +01:00</pubDate>
    <dc:creator>ignnis</dc:creator>
        <category>Agenda</category>
            
    <description>&lt;strong&gt;Cidade europeia, cenário de inspiração para muitos nomes da cena poética do passado, mas também do presente: Trieste vive um período de relançamento literário, nomeadamente poético. A cidade italiana acolhe agora a 3ª edição do Trieste Poetry Slam.&lt;/strong&gt;    &lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span&gt;A 11 e 12 de Janeiro, no &lt;a href=&quot;http://www.myspace.com/gruppotetris&quot; hreflang=&quot;it&quot;&gt;Club Tetris&lt;/a&gt;, sito na 'Via da Rotonda', a Associação Cultural &lt;a href=&quot;http://www.ammutinati.com/&quot; hreflang=&quot;it&quot;&gt;Ammutinati&lt;/a&gt; organiza a terceira edição de &lt;em&gt;Trieste Poetry Slam&lt;/em&gt;, uma competição de versos onde vão participar poetas italianos e estrangeiros. Dada a proximidade geográfica, marcarão presença um representante da Eslovénia e um outro da Croácia, bem como um poeta d’Oltralpe. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;Nascido nos Estados Unidos da América, o &lt;em&gt;Poetry Slam &lt;/em&gt;consiste na leitura de uma ou mais poesias num máximo de três minutos, eventualmente com um fundo musical. Se os três minutos são excedidos, há penalização no voto final. O jury, formado por cinco pessoas, escolhidas casualmente entre o público, é dirigido por um EmCee (Master of Cerimony), termo&amp;nbsp;directamente extraído da linguagem do hip hop. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span&gt;O Slam é definitivamente uma maneira diferente para levar a poesia – oral - a um público jovem: através dos instrumentos da performance poética e&amp;nbsp;escolhendo os membros do jury do próprio público, que podem opinar sobre as actuações e a qualidade dos versos dos concorrentes. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;img title=&quot;(Foto, Word Freak/Flickr)&quot; alt=&quot;(Foto, Word Freak/Flickr)&quot; src=&quot;http://www.cafebabel.com/photos/slam090108.jpg&quot; align=&quot;center&quot; /&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;
&lt;p class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span&gt;Um balão de poesia assistirá a esta competição poética e manter-vos-á informados... Os interessados cliquem a&lt;a href=&quot;http://lellovoce.altervista.org/spip.php?article1165&quot; hreflang=&quot;it&quot;&gt;qui&lt;/a&gt; para obterem mais detalhes destes dois dias&amp;nbsp;de festival. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/span&gt;</description>
    
    
    
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      </item>
    
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    <title>Tarek Eltayeb : &quot;Mahfuz pedia-me para ler a minha poesia&quot;</title>
    <link>http://poetry.cafebabel.com/pt/post/2008/01/02/Tarek-Eltayeb%3A-Quando-Nagib-Mahfuz-mi-chiedeva-di-leggere-le-mie-poesie</link>
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    <pubDate>Wed, 02 Jan 2008 11:24:00 +01:00</pubDate>
    <dc:creator>ignnis</dc:creator>
        <category>Perfis europeus</category>
            
    <description>&lt;strong&gt;Dezembro cintilante em Viena. Café Ritter, lugar emblemático da cidade. Entre uma visita à feira de Natal e uma escapadela ao &lt;a href=&quot;http://www.wien.info/article.asp?IDArticle=5002&quot; target='”_blank&quot;'&gt;Museu Leopoldo&lt;/a&gt;, onde ainda se pode respirar os ares da &lt;em&gt;nouvelle vague&lt;/em&gt; artística do início do século XX, nomeadamente em quadros de&lt;a href=&quot;http://fr.wikipedia.org/wiki/Egon_Schiele&quot; target=&quot;”_blank&quot; ”&gt;Shiele&lt;/a&gt; e &lt;a href=&quot;http://fr.wikipedia.org/wiki/Gustav_Klimt&quot; target=&quot;”_blank&quot; ”&gt;Gustav Klimt&lt;/a&gt;, encontramos Tarek Eltayeb, um dos mais reputados poetas egípcios do momento. &lt;/strong&gt;    &lt;img src=&quot;http://poetry.cafebabel.com/public/poetry/blog_img/infanzia.jpg&quot; /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira vez que o contactámos foi em Outubro passado, em Trieste, durante o festival internacional &lt;a href=&quot;http://www.sidaja.eu/&quot; target=&quot;”_blank&quot; ”&gt;Sidaja&lt;/a&gt;, organizado pela Casa della Poesia local, que recebe todos os anos os poetas mais ‘importantes’ da cena poética europeia e mundial (com figuras como a italiana Rosaria Lo Russo, a anglo-americana Judi Benson, o português Casimiro De Brito, o islandês Sigurbiörg Thrastardóttir ou o croata Branko Čegec, a marcarem presença).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sorridente por natureza, Eltayeb parece agora disponível para uma conversa que se adivinha tranquila.&lt;br /&gt;Foi na capital austríaca que ele escreveu a sua obra poética mais acarinhada, &lt;em&gt;Água e café &lt;/em&gt;, que iremos traduzir de seguida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div align=&quot;left&quot;&gt;&lt;strong&gt;Água e café &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cem vezes por dia ele repete: &lt;br /&gt;“Devo entrar, aqui reina a inclemência.&lt;br /&gt;Ali, o bem e o calor e...”&lt;br /&gt;Depois&lt;br /&gt;pergunto-lhe: “Onde &lt;em&gt;ali&lt;/em&gt; ?”&lt;br /&gt;E ele aponta-me a direcção com a mão &lt;br /&gt;E a sua volta perde os traços &lt;br /&gt;A seguir&lt;br /&gt;Agarro-lhe a mão num canto calmo da taberna &lt;br /&gt;Sentamo-nos numa mesa &lt;br /&gt;Peço um café para ele, e água para mim &lt;br /&gt;Falo-lhe em árabe e ele acrescenta água ao café &lt;br /&gt;Ele zanga-se: “És louco?”&lt;br /&gt;Ele tenta tirar a água do café&lt;br /&gt;Ele tenta&lt;br /&gt;Ele intenta de restituir a água à água.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Uma infância entre Steinbeck, Hemingway e algumas histórias de mulheres &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tarek lembra-se que o seu pai tinha uma biblioteca pessoal muito bem fornecida, com os clássicos árabes, mas também os contemporâneos e os ocidentais. “ Era um apaixonado das letras. Quando ele lia, deitado na sua cama, eu folheava os livros e os jornais com ele, e na altura eu nem sequer sabia ler. Tentava imitar…”, relembra o poeta. “Estava convencido que, não só era preciso ler, mas que os próprios livros tinham sido escritos pelo meu pai, porque – meticuloso como ele era – assinava o seu nome em todos eles. Eu lia autores clássicos árabes, mas também os ocidentais contemporâneos, tais como Steinbeck ou Hemingway, ou o egípcio &lt;a href=&quot;http://fr.wikipedia.org/wiki/Naguib_Mahfouz&quot; target=&quot;”_blank&quot; ”&gt;Nagib Mahfuz&lt;/a&gt;. Quando entrei para a escola, já sabia ler e escrever, e a professora, que se ia dando conta que eu estava mais avançado que os outros meninos, confiava-me o seu filho, um pequeno pestinha que só se acalmava quando eu lhe contava histórias. Se a história que eu lhe contava à segunda-feira tinha um macaco como protagonista e a de terça-feira uma girafa, entre entrava em cólera para comigo e exigia que eu recomeçasse com a primeira história. Foi assim que nasceu em mim a necessidade de escrever”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As mulheres da sua família também o influenciaram : “A minha mãe, a minha avó e a minha tia juntavam-se, todas as tardes com as vizinhas, para cozinhar. Estas reuniões femininas davam-me a possibilidade de ouvir histórias e comentários muito picantes. Quando o meu pai me obrigava a ficar entre os homens, a ouvir os discursos de economia e de politica, eu acabava por me aborrecer: era muito mais divertido ouvir as mulheres!” As crianças tinham igualmente um papel destaque na família: “ Se a minha avó saia para ir às compras, para não perder uma só vírgula do que se dizia na rádio, ela pedia-nos para tomar nota, para mais tarde lhe contarmos. Éramos muito novos, na verdade, cada um de nós acabava por contar uma versão diferente daquilo que tinha ouvido:cada um de nós criava o seu recital, e apimentava-o. Também isto me valeu para a minha actual actividade de escritor ”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src=&quot;http://poetry.cafebabel.com/public/poetry/blog_img/orange.jpg&quot; /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Estudante no Egipto e em Viena, passando pelo Iraque &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tarek, de origem sudanesa, nasceu em 1959 no Caïro, onde viveu 25 anos. Portanto, ele conhece bem a realidade deste país, onde ele ainda vai de tempos a tempos. Mas porque escolheu ele viver na Áustria? “ Cheguei aqui à 23 anos sem falar a língua e sem um tostão no bolso. Não me considero um poeta no exílio, porque eu estou aqui por vontade própria: no meu país não havia oportunidades profissionais e intelectuais. Para além disso, no início dos anos 80, havia tensões politicas entre o Egipto e o Sudão: para o governo eu era sudanês, e a pressão para os estudantes sudaneses foi insuportável. Uma vez que acabei os meus estudos em economia, comecei a trabalhar num gabinete de auditoria, mas com funções de secretariado e com um salário raquítico”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1981, o jovem Tarek decide mudar-se para um outro país muçulmano. Algo complicado, na medida em que: « dizem que os países árabes são “países irmãos”, mas ainda falta demonstrá-lo». No Iraque, um amigo sudanês dá-lhe emprego num restaurante. “Nós estávamos por nossa própria conta, e ainda que o restaurante fosse grande, não teve sucesso algum. Ele ficava mesmo ao lado de uma esquadra da polícia que fechava as portas às seis da tarde em ponto. Logo depois até ao amanhecer, as facções curdas e árabes combatiam umas contra as outras e nós estávamos ali no meio.”Uma situação difícil e dura. A guerra entre o Irão e o Iraque tinha acabado de começar e era difícil abandonar o país. “Felizmente que os sudaneses não eram suspeitos nesta guerra. Quando o meu amigo soube que era dos poucos a poder movimentar-se em liberdade, ele pôs-se a comercializar especiarias e tecidos que nós só podiamos encontrar no estrangeiro. Até ao dia em que ele desapareceu com o dinheiro dos clientes e mais ninguém lhe pôs a vista em cima: evidentemente, ele tinha-me voltado as costas e eu voltei ao Cairo.” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi a primeira vez que Eltayeb falou das suas desventuras em terras iraquianas e do seu antigo amigo. Há alguma influência de todos estes episódios na sua literatura? “Eu não quis que os filhos pagassem a factura do pai. Eis o porquê de nunca ter falado disto a ninguém. Se eu fizesse um filme sobre a minha vida talvez eles o vissem e se reconhecessem nele. Mas isso não faz parte dos meus planos, por agora.” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Em Viena por amor à Europa. E depois, por Amor. &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De volta ao Cairo, decide partir para a Europa. Mas porquê Viena? “Não queria fazer como todos os sudaneses, que partem massivamente para países anglófonos ou francófonos. Queria recomeçar tudo do zero. Ao inicio pensei em vr para a Alemanha, mas depois descobri, a tempo e horas, que na Austria os estudantes do Terceiro Mundo, não pagam propinas universitárias.” Eltayeb preferiu ser prático. A Europa desde sempre o tinha cativado pela sua diversidade cultural e pela sua sociedade bem mais plural que a dos Estados Unidos, onde temos a impressão, que para um estrangeiro “ é muito mais difícil de viver, mesmo se me oferecessem um posto melhor remunerado, eu não sairia daqui. O estilo de vida americano não me seduz, não responde, nem corresponde às minhas exigências de vida”. Depois a Ursula, a sua mulher, entrou na sua vida. “Quando anunciei ao meu pai que me ia casar aqui no norte ele não me condenou. E ele, único filho rapaz de um pai rodeado de treze mulheres, quando foi para o Cairo para casar com a minha mãe, foi deserdado pelo meu avô.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todas estas influências culturais marcaram a sua linguagem literária: “Mesmo que a minha literária seja o árabe classico, inclui igualmente nuances do dialecto sudanês do mau pai, o árabe do Cairo e, naturalmente o alemão, porque eu vivo em Viena para lá de vinte anos”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;No Cairo&amp;nbsp;com Nagib Mahfuz&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Um dia há dez anos”, recorda, “um amigo convida-me para ir a um café no Cairo, perto de minha casa, onde &lt;a href=&quot;http://es.wikipedia.org/wiki/Naguib_Mahfuz&quot; target=&quot;”_blank&quot; ”&gt;Nagib Mahfuz&lt;/a&gt;tinha encontros literários. Pediu-me para que lesse histórias. Assim, que o prémio Nobel soube da minha presença no café, quis que me sentasse ao seul ado e eu senti-me como um miúdo colegial. Ele queria saber como era a vida na Áustria, as diferenças em relação à vida egípcia; ele estava muito interessado nos meus projectos criativos. Não só tinha lido as minhas histórias, como as conhecia muito bem”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O Amor no tempo da Censura &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O próprio Mahfuz, em 1994, foi vitima de um atentado terrorista. Ele tinha ousado personificar os profetas do islão – Caïn, Abel, Jésus e Mahomet– num romance nunca publicado no Egipto. “O homem que o tentou matar ”, explica Eltayeb “ nem sequer tinha lido o seu romance.Ele tinha ‘ouvido dizer’que o livro era perigoso para a religião. Depois, proposeram à Mahfuz de publicar o livro no Egipto (&lt;em&gt;Filhos da Medina&lt;/em&gt;), mas ele viria a declinar o convite, argumentando que as pessoas não o compreendiam”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existe ainda Censura no Egipto ? “Vivemos numa situação bizarra. O Governo é conservador, e mesmo se a censura não é evidente,ela vem de todas as direcções. Tudo o que é cultura, dança ou canto é proibido se vai ao encontro da fé oficial, e a literatura é considerada uma inimiga da qual é preciso desconfiar. Um dos meus contos foi, censurado, por exemplo. Nomeadamente, por causa de uma das cenas onde o protagonista, um cidadão estrangeiro, Jospeh, exprime a sua inveja ao seu interlocutor, um massagista austríaco cego, porque este tinha a felicidade de tocar os corpos e de ter as suas mãos sempre em contacto com a pele dos outros. Foi uma passagem considerada muito sexual”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Censura não se reduz aos autores contemporâneos: “Há pessoas consagradíssimas na procura sistemática de expressões para “ele beija-a”, “ele acaricia-a”, “ele acompanha-a à cama”, que depois dão em “ele descortina-a”, “ele acompanha-a aos jardins”. Há 14 anos, eu estava no Cairo e quis comprar quatro volumes das &lt;em&gt;Mil e uma noites&lt;/em&gt;. Deram-me quatro miseráveis livrinhos. Quando pedi explicações ao livreiro, ele explicou-me que se tratava “da versão melhorada e purificada de toda a imortalidade e blasfémia da versão original”. Situações que se repetem ainda hoje. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Com a colaboração de Michela Zanotti para a tradução simultânea do alemão&lt;/em&gt;</description>
    
    
    
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    <title>Alegre  fim de 2007</title>
    <link>http://poetry.cafebabel.com/pt/post/2007/12/18/Alegre-fin-de-2007</link>
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    <pubDate>Tue, 18 Dec 2007 12:57:00 +01:00</pubDate>
    <dc:creator>ignnis</dc:creator>
        <category>Peças soltas</category>
            
    <description>&lt;strong&gt;Entre esta margem de 2007 e a que está por chegar de 2008, desejamo-vos muita poesia e muita companhia. Para a transição: os poemas do português Manuel Alegre.&lt;/strong&gt;    Despedimo-nos do ano de 2007 com a proposta de duas peças soltas do poeta contemporâneo português Manuel Alegre.
&lt;img src=&quot;http://poetry.cafebabel.com/public/poetry/alegre181207.jpg&quot; alt=&quot;O poeta português Manuel Alegre (Foto, bmoeiraas/Flickr)&quot; title=&quot;O poeta português Manuel Alegre (Foto, bmoeiraas/Flickr)&quot; align=&quot;middle&quot; /&gt;&lt;br /&gt;
Figura maior das letras lusas, Alegre foi também um dos protagonistas da cena portuguesa dos últimos anos por se ter apresentado como candidato independente à presidência da República portuguesa, depois de anos e anos de militância no Partido Socialista. Rivalizando contra dois gigantes da política portuguesa, Mário Soares e o professor Cavaco Silva, o autor dos poemas revolucionários &lt;em&gt;  Trovas do Vento que passa  &lt;/em&gt; conseguiu o 2º lugar no ranking das presidenciais que se realizaram em 2006. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sendo este o Balão de poesia de cafebabel.com, não resistimos em convida-los a saborear alguns dos seus poemas de &lt;em&gt;Babilónia&lt;/em&gt;, publicados em 1983.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;border-style: solid; border-width: 5px; padding: 15px;&quot; ;=&quot;&quot; align=&quot;justify&quot;&gt;1. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu quero ouvir agora o grande canto subterrâneo&lt;br /&gt;
dos comboios eléctricos por dentro das palavras&lt;br /&gt;
a multidão descendo à pressa os corredores da alma&lt;br /&gt;
o saxofone lancinante na estação do Metro&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Caminhámos tanto para chegar a esta&lt;br /&gt;
desolada paisagem interior&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cartas de fusilados: cantavam a Marselhesa&lt;br /&gt;
A minha geração nasceu da guerra&lt;br /&gt;
E viu crecer o cogumelo de Hiroshima&lt;br /&gt;
Vibramos tanto com Bogart em Casablanca&lt;br /&gt;
depois aprendemos a cantar Kalinka&lt;br /&gt;
Era o tempo das certezas redondas como abóboras&lt;br /&gt;
cada ano mais felizes em Koljós&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ainda entrámos a cavalo&lt;br /&gt;
com o Che&lt;br /&gt;
em Havana&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Era o tempo da festa e da guerrilha&lt;br /&gt;A revolução ia ser uma aventura&lt;br /&gt;
acreditávamos até na abolição da morte&lt;br /&gt;
Era o tempo em que a História parecia um comboio &lt;br /&gt;
rolando inevitavelmente para a Terra Prometida&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E eis que vais só na carruagem dos rostos sem olhar&lt;br /&gt;
despojados perdidos no Reino de Múltiplo&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nunca mais entraremos&lt;br /&gt;
com o Che&lt;br /&gt;
em Havana&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Deus que está en Delfos continua sem oráculo&lt;br /&gt;
A Europa anoitece e só quem espera &lt;br /&gt;
verá o inesperado Assim falou&lt;br /&gt;
Heraclito&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;border-style: solid; border-width: 5px; padding: 15px;&quot; ;=&quot;&quot; align=&quot;justify&quot;&gt;3. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Podes dizer (e é verdade) que vens de longe&lt;br /&gt;
atravessaste os mares e as montanhas&lt;br /&gt;
sentiste o cheiro da pólvora e o assobio da bala&lt;br /&gt;
vestido com as tuas armas errante pelo deserto&lt;br /&gt;
e às vezes perdido&lt;br /&gt;
nas ruas &lt;br /&gt;
Babilónia&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando chegaste à grande margem não havia barqueiro&lt;br /&gt;
nem viste as sombras falantes passeando pelos hades&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Trevas para a frente&lt;br /&gt;
Trevas para trás&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Podes dizer (e é verdade) que vens de longe&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como o primeiro homem perguntas e não sabes&lt;br /&gt;
o que dorme parece que está morto&lt;br /&gt;
o que está morto parece adormecido&lt;br /&gt;
não  há barqueiro entre esta margem e a outra margem&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mesmo que não haja resposta&lt;br /&gt;
Tens de manter a pergunta&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aquele que sabe os segredos&lt;br /&gt;
Não desvendou o que estava escondido&lt;br /&gt;
O destino do Homem não foi revelado&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eis que é preciso escrever na pedra&lt;br /&gt;
Em Uruk dos muros cor-de-rosa&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A equipa de Balões de Poesia deseja-vos uma intensa e feliz entrada em 2008, com a ilusão de voltar a encontra-los do outro lado do teclado tacteando ao ritmo da poesia europeia contemporânea. &lt;br /&gt;</description>
    
    
    
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    <title>O Amor nas ruas de Lisboa</title>
    <link>http://poetry.cafebabel.com/pt/post/2007/12/17/El-amor-en-las-calles-de-Lisboa2</link>
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    <pubDate>Mon, 17 Dec 2007 13:39:00 +01:00</pubDate>
    <dc:creator>ignnis</dc:creator>
        <category>Muros da Europa</category>
            
    <description>&lt;strong&gt;Agora já sabemos o que o poeta quer :&amp;nbsp; “desfolhar” a sua amada, colher a sua flor, a sua virgindade. Conseguem imaginar a cara da mãe da rapariga ao ver estes versos ‘tagados’ pelo poeta na dianteira da sua casa em Lisboa?&lt;/strong&gt;    A Alfama lisboeta é, seguramente, um dos bairros mais humildes das grandes capitais europeias. Isso não impede que as suas paredes resumam toda uma cultura e sensibilidade poéticas. Nesta imagem captamos as pinceladas de um extracto de um poema do chileno&lt;a href=&quot;http://es.wikipedia.org/wiki/Pablo_Neruda&quot; target=&quot;”_blank”&quot;&gt;Pablo Neruda&lt;/a&gt;, poeta que também foi embaixador do Chile em Espanha e França.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;img src=&quot;http://www.cafebabel.com/photos/nerudaenalfama171207.jpg&quot; alt=&quot;Versos de Neruda em Alfama&quot; title=&quot;Versos de Neruda em Alfama&quot; align=&quot;”center”&quot; /&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Trata-se do poema 14, o mais conhecido de&amp;nbsp;&lt;em&gt; Vinte poemas de amor e uma canção desesperada&lt;/em&gt;. O excerto reza assim: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quero fazer contigo&lt;br /&gt;
o que a Primavera faz com as cerejeiras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que é que o poeta quer fazer com a sua amada, afinal? Pelo tom do poema, o leitor pode figura-lo com facilidade, mas mais concretamente que significam estes versos? Para poder responder é preciso ter conhecimentos básicos de botânica. A árvore onde nascem todas as cerejas, é juntamente com a amendoeira, uma das primeiras árvores a desabrochar as suas flores. Fá-lo em finais do Inverno – uma flor branca e pequena com reflexos cor-de-rosa, se a miramos de longe -. No entanto, também é uma das primeiras a perde-las: o seu ‘desfolhamento’ acontece com a chegada da Primavera. Agora já sabemos o que o poeta quer: “desfolhar” a sua amada, colher a sua flor, a sua virgindade. Conseguem imaginar a cara da mãe da rapariga ao ver estes versos ‘tagados’ pelo poeta na dianteira da sua casa em Lisboa?</description>
    
    
    
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  <item>
    <title>Rafael Alberti cumpre 105 anos de anonimato europeu</title>
    <link>http://poetry.cafebabel.com/pt/post/2007/12/12/Rafael-Alberti-cumpre-105-anos-de-anonimato-europeu</link>
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    <pubDate>Wed, 12 Dec 2007 20:33:00 +01:00</pubDate>
    <dc:creator>ignnis</dc:creator>
        <category>Perfis europeus</category>
            
    <description>&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Não deixa de ser surpreendente que sendo Alberti aquele que maior longevidade alcançou dos da sua geração artística, o que mais viajou e o que mais amizades cultivou além fronteiras, não soe ao lado de nomes como García Lorca, Buñuel, ou Dalí.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;    &lt;img title=&quot;Rafael Alberti (Foto, Fundação Rafael Alberti&lt;/em /&gt;)&quot; alt=&quot;Rafael Alberti (Foto, Fundação Rafael Alberti&lt;/em&gt;)&quot; src=&quot;http://www.cafebabel.com/photos/alberti141207.jpg&quot; align=left&gt;A 16 de Dezembro de 2007, o poeta espanhol &lt;a href=&quot;http://poetry.cafebabel.com/es/post/2007/11/14/La-poesia-bilingue-de-Rafael-Alberti&quot; target=&quot;”_blank&quot; ”&gt;Rafael Alberti&lt;/a&gt; cumpriria 105 anos. A &lt;a href=&quot;http://poetry.cafebabel.com/target=%E2%80%9D_blank%E2%80%9D&quot;&gt;Fundação&lt;/a&gt; que tem o nome da sua cidade natal - El Puerto de Santa María, em Cádiz - prepara numerosas actividades para comemorar o nascimento deste mito da literatura e da História europeias do século XX, falecido em 1999.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A celebração, que vai durar várias semanas, vai contar com uma convidada de excepção, a cantora &lt;a href=&quot;http://es.wikipedia.org/wiki/Mar%C3%ADa_Dolores_Pradera&quot; target=&quot;”_blank&quot; ”&gt;Mª Dolores Pradera&lt;/a&gt;, no próprio dia 16. Vai contar também com uma coincidência de excepção: o 80º aniversário da homenagem ao poeta barroco &lt;a href=&quot;http://poetry.cafebabel.com/%20http://pt.wikipedia.org/wiki/Luis_de_G%C3%B3ngora_y_Argote&quot; target=&quot;”_blank&quot; ”&gt;Góngora&lt;/a&gt; que em 1927 reuniu em Sevilla o núcleo da &lt;a href=&quot;http://poetry.cafebabel.com/%20http://pt.wikipedia.org/wiki/Gera%C3%A7%C3%A3o_de_27&quot; target=&quot;”_blank&quot; ”&gt;Geração de 27&lt;/a&gt; de que Alberti foi um membro fundamental. Leituras poéticas, recitais, lançamentos de livros e encontros entre os vários representantes das fundações dos autores de 27 figuram na agenda deste aniversário particular, nesta terra cálida do sul europeu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Um autor internacional desconhecido na Europa&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img title=&quot;María Asunción Mateo (Foto, Fundación Rafael Alberti&lt;/em /&gt;)&quot; alt=&quot;María Asunción Mateo (Foto, Fundación Rafael Alberti&lt;/em&gt;)&quot; src=&quot;http://www.cafebabel.com/photos/masuncion141207.jpg&quot; align=middle&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O nosso trabalho na Fundação é zelar pelo património que o Rafael depositou nela e colaborar com o estudo da sua obra e geração literária”, precisa Mª Asunción Mateo, segunda mulher do poeta e Directora da Fundação. A presença da Fundação é muito activa na América-latina, em especial no Chile, México, Cuba e Uruguay, no entanto é muito menos conhecida na Europa, onde Alberti, não obstante, viajou e trabalhou durante muitos anos. En Roma, cidade onde viveu 14 anos e a quem dedicou um dos seus poemas mais recitados (&lt;em&gt;Roma, perigo para caminantes&lt;/em&gt;), não existe nem sequer uma rua com o seu nome. Em Paris, primeira paragem do seu exílio aquando da guerra civil espanhola (na qual participou do lado dos republicanos dada a sua filiação ao Partido Comunista), é difícil de encontrar cidadãos que tenham ouvido falar dele. “Bastante sorte teve em não acabar num campo de concentração e de ter escapado aos alemães quando estes entraram em Paris em 1940”, enfatiza a sua viúva recordando que “os nove meses que Alberti viveu em Paris junto da sua primeira mulher, &lt;a href=&quot;http://es.wikipedia.org/wiki/Mar%C3%ADa_Teresa_Le%C3%B3n&quot; target=&quot;”_blank&quot; ”&gt;Mª Teresa León&lt;/a&gt;, trabalhando na emissora de rádio &lt;em&gt;Paris Mondiale&lt;/em&gt;, passou-os como refugiado político, porque a sua actividade poética não podia tornar-se pública”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Um marketing difuso&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo assim, não deixa de ser surpreendente que sendo Alberti aquele que maior longevidade alcançou dos da sua geração artística, o que mais viajou e o que mais amizades cultivou além fronteiras, não soe ao lado de nomes como García Lorca, Buñuel, ou Dalí. “Tampouco se reconheceu a sua obra digna de um Prémio Nobel, como a dos poetas Juan Ramón Jiménez e Antonio Machado”, interrompe-nos Mª Asunción Mateo, para quem a ressonância mundial de poetas “ilustres como Buñuel ou Dalí se deve de caras, em relação ao primeiro, ao facto que a sua obra se difunda através de um meio universal como é o cinema, e também de caras, em relação ao segundo, que soube promover a sua genialidade pictórica ao nível do marketing como poucos”. “ No caso de Lorca, a sua morte trágica alimentou sempre o universo dos estudiosos e historiadores de todo o mundo”, explica Juan Gómez, o responsável de ‘Cultura del ayuntamiento de El Puerto de Santa María’ quando se criou a Fundação em 1991, e cuja casa Alberti passava várias tardes, entre amigos, recitando e cantando as suas adoradas “canções picantes” (“Uma freirinha com ânsia prolixa / com ardor chupava um crucifixo”, recordará o poeta Luís Muñoz). Para dizer a verdade, Aberti, com a sua carga de simbolismo político e artístico (salientamos que também foi um pintor original) nunca se converteu numa “ marca” contrariando assim o que chegaram a temer consagrados poetas e amigos como &lt;a href=&quot;http://es.wikipedia.org/wiki/Luis_Garc%C3%ADa_Montero&quot; target=&quot;”_blank&quot; ”&gt;Luís García Montero&lt;/a&gt;, sobretudo se o compararmos com os seus companheiros de geração, como Picasso, Neruda e o já citado Dalí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Meios Remediados&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será um problema de pressuposto? A Fundação recebe apoio financeiro de muitos organismos públicos, “e sempre recebeu o apoio tanto dos Governos de esquerda como de direita”, insiste Juan Gómez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img title=&quot;Vela de Alberti na Fundação Rafael Alberti (Foto, Fundación Rafael Alberti&lt;/em /&gt;)&quot; alt=&quot;Vela de Alberti na Fundação Rafael Alberti (Foto, Fundación Rafael Alberti&lt;/em&gt;)&quot; src=&quot;http://www.cafebabel.com/photos/fotovela141207.jpg&quot; align=middle&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“É fácil imaginar que não temos meios económicos para ir difundindo a sua obra por este mundo fora”, sublinha Mateo, quem recorda em todo o caso ter acudido a homenagens a Alberti até no Cairo. “ Acredita que há alguma instituição cultural em Espanha que poderá reclama-lo afirmativamente? Muito poucas, pouquísimas. Claro que tenho pena de não ter mais meios, mas também não é a mim que me cabe descortinar o lugar que ocupam certos pressupostos para actividades culturais neste país”, enerva-se. “ É evidente que o nosso trabalho podia projectar-se com mais conteúdos, com ajudas mais ajustadas aos nossos projectos”, remata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;“Um cartão de partido não é um cartão de conduta”&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rafael Alberti teve uma vida longa e intensa; na sua casa de Roma contava-la bem. Havia sempre tantas visitas de intelectuais europeus e políticos espanhóis na clandestinidade, que muitos consideravam a sua casa&amp;nbsp;uma verdadeira embaixada espanhola em Itália, fazendo face à outra, mais oficial, mais&amp;nbsp;franquista. A sua obra, sempre aberta&amp;nbsp;às novas linguagens e&amp;nbsp;às novas formas de comunicar das gentes da rua, introduz toda a classe de modismos que a linguagem falada conhece, ligando-se assim em especial com os jovens. Sem embargo, hoje o comunismo já não está tão na moda e os jovens fixam-se noutras coisas. “Fascina e fascinará a sua personalidade, a sua vida lendária, os suas conquistas ideológicas, a variedade de registos da sua obra literária e a sua singualar pintura, que fazem dele um homem do Renascimento”, repete sempre Mª Asunción Mateo. “Rafael sempre captou a atenção da juventude e vai continuar a faze-lo, porque a sua obra estará sempre na vanguarda, mesmo que a tenho escrito para lá de setenta anos. A genialidade não encontra barreiras temporais.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Face à onda de anticomunismo que se respira nos países do antigo Bloco de Leste, pelos quais Alberti viajou, que diríamos hoje aos irmãos Kaczyński sobre a vida de quem sempre se considerou “comunista de coração”? Face a esta questão Mateo, que dirige uma fundação cujo comité de honra é composto por prémios Nobel comunistas como o português José Saramago, responde claramente: “Eu podia falar com estes ‘comunistas acérrimos’, como você os chamou, de Rafael e da sua obra até de cansarem de me escutarem. A isto podia acrescentar o seu amor pela literatura e pela pintura, mas não creio que o meu discurso lhes mudasse o pensamento político.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Há uma frase sua”, conclui, “que merecia estar esculpida: 'Um cartão de partido não é um cartão de conduta'. Não acredito que hoje, quando se está a contemplar uma escultura de Fidias ou a Victoria de Samotracia, as pessoas se interroguem sobre a ideologia politica dos escultores.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;BORDER-RIGHT: 5px solid; PADDING-RIGHT: 10px; BORDER-TOP: 5px solid; PADDING-LEFT: 10px; PADDING-BOTTOM: 10px; BORDER-LEFT: 5px solid; PADDING-TOP: 10px; BORDER-BOTTOM: 5px solid&quot; align=&quot;justify&quot; ;=&quot;&quot;&gt;Rafael Alberti nasceu e morreu no Outono, estação do ano a qual dedicou um livro de poemas extraordinários e breves: &lt;em&gt;Aberto a todas as horas&lt;/em&gt;. Na continuação reproduzimos o seu poema 18.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguém, ou muitos, pensarão: - Que inútil&lt;br /&gt;que este poeta fale do Outono!&lt;br /&gt;Como não falar, e muito e com nostalgia,&lt;br /&gt;Se já tão rápido vai chegar o Inverno?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;BORDER-RIGHT: 5px solid; PADDING-RIGHT: 15px; BORDER-TOP: 5px solid; PADDING-LEFT: 15px; PADDING-BOTTOM: 15px; BORDER-LEFT: 5px solid; PADDING-TOP: 15px; BORDER-BOTTOM: 5px solid&quot; align=&quot;center&quot; ;=&quot;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Paco Ibáñez canta A Galopar no Olympia de Paris&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Um dos poemas mais recitados e cantados de Rafael Alberti, deve em parte a sua fama a um cantor espanhol -Paco Ibáñez- que se enamorou dele e cantava-lo no final dos seus concertos. A gravação mais famosa: a dos seus concertos no mítico Théatre Olympia de Paris, que reproduzimos em baixo.&lt;br /&gt;
&lt;object width=&quot;425&quot; height=&quot;373&quot;&gt;&lt;param name=&quot;movie&quot; value=&quot;http://www.youtube.com/v/Y13itznYoIw&amp;rel=1&amp;border=1&quot;&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name=&quot;wmode&quot; value=&quot;transparent&quot;&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src=&quot;http://www.youtube.com/v/Y13itznYoIw&amp;rel=1&amp;border=1&quot; type=&quot;application/x-shockwave-flash&quot; wmode=&quot;transparent&quot; width=&quot;425&quot; height=&quot;373&quot;&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Fotos: retrato de Rafael Alberti; María Asunción Mateo, directora da Fundação Rafael Alberti; Vela de Alberti na sua fundação de El Puerto de Santa María: © Fundacão Rafael Alberti &lt;br /&gt;Directos de Reprodução da Obra de Rafael Alberti: © Carmen Balcells&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;</description>
    
    
    
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    <title>Berlim-Barcelona: transferência poética</title>
    <link>http://poetry.cafebabel.com/pt/post/2007/11/21/Berlin-Barcelona%3A-una-transferencia-poetica</link>
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    <pubDate>Fri, 23 Nov 2007 09:51:00 +01:00</pubDate>
    <dc:creator>ignnis</dc:creator>
        <category>Agenda</category>
            
    <description>&lt;p&gt;&lt;strong&gt;De 12 a 15 de Dezembro, Barcelona vai acolher os representantes mais destacados da cena poética experimental de Berlim. Quatro dias de recitais, de intercâmbio, de colaborações especiais entre poetas e artistas, de projecções e cumplicidades literárias entre as duas cidades. A poesia de Berlim sobe aos diferentes palcos de Barcelona e vai-se misturar com música, performance, vídeo, electrónica e cinema. &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;    De 12 a 15 de Dezembro, Barcelona vai acolher os representantes mais destacados da cena poética experimental de Berlim. Quatro dias de recitais, de intercâmbio, de colaborações especiais entre poetas e artistas, de projecções e cumplicidades literárias entre estas duas cidades. A poesia de Berlim sobe aos diferentes palcos de Barcelona e vai-se misturar com música, performance, vídeo, electrónica e cinema..&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;img src=&quot;http://www.cafebabel.com/photos/berlinbarcelona211107.jpg&quot; alt=&quot;Imagem corporativa do evento (Photo: propost)&quot; title=&quot;Imagem corporativa do evento (Photo: propost)&quot; /&gt;Actuações dos poetas berlinenses Monika Rinck, Ricardo Domeneck, Nora Gomringer e Ann Cotten, com a colaboração especial dos poetas e artistas locais &lt;a href=&quot;http://usuarios.lycos.es/accidents/&quot; target=&quot;”_blank”&quot;&gt;Acidentes Polipoéticos&lt;/a&gt;, &lt;a href=&quot;http://www.bferrando.net/&quot; target=&quot;”_blank”&quot;&gt;Bartomeu Ferrando&lt;/a&gt;, &lt;a href=&quot;http://www.portalmix.com/operaciontriunfo2/masterclass/021207.shtml&quot; target=&quot;”_blank”&quot;&gt;Christian Atanasiu&lt;/a&gt;, &lt;a href=&quot;http://www.esferallibres.com/es/autores/autordetalle.html?autorID=24&quot; target=&quot;”_blank”&quot;&gt;Josep Pedrals&lt;/a&gt;, Sebastià Jovani, Dionís Escorsa, Ester Xargay, Bradien y Woh.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;em&gt;Um balão de poesia&lt;/em&gt; em Barcelona vai assistir ao acto e em breve vai nos dar mais detalhes desta transferência poética. &lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;Espaços&lt;/strong&gt;: Goethe Institut-Barcelona, Horiginal, Sala [2] del Apolo y Auditori MACBA&lt;br /&gt;
Uma iniciativa de: projectes poètics sense títol - propost.org,  Goethe Institut-Barcelona i Berlin Literaturwerkstatt &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com o apoio de: Consulado Geral da Alemanha em Barcelona e a Instituição  das Letras Catalãs&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Colaboração de: Butxaca, Horiginal (cafè+poesia), Sala [2] del Apolo, MACBA (Museu de Arte Contemporânea de Barcelona), DIBINA (Digital Büro of International Art), la Correccional (serviços textuais), Twin Cam Audio, Carmelitas (restaurante e galeria)</description>
    
    
    
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  <item>
    <title>A poesia bilingue de Rafael Alberti</title>
    <link>http://poetry.cafebabel.com/pt/post/2007/11/14/La-poesia-bilingue-de-Rafael-Alberti</link>
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    <pubDate>Wed, 14 Nov 2007 21:37:00 +01:00</pubDate>
    <dc:creator>ignnis</dc:creator>
        <category>Perfis europeus</category>
            
    <description>&lt;strong&gt;Foi um viajante assíduo e, contra a sua vontade, um exilado mais assíduo ainda dada a sua devoção ao Partido Comunista de Espanha e a sua participação activa na Guerra Civil Espanhola (1936-1939) em favor da II República.&lt;/strong&gt;    &lt;img src=&quot;http://www.cafebabel.com/photos/alberti141107.jpg&quot; alt=&quot;Rafael Alberti na sua chegada do exílio(Foto, Agencia EFE)&quot; title=&quot;Rafael Alberti na sua chegada do exílio (Foto, Agencia EFE)&quot; align=&quot;left&quot; /&gt;Rafael Alberti (1902-1999)  é o poeta espanhol que melhor representa as atribulações e aventuras literárias, sociais e políticas do século XX espanhol. Teve, ao lado de Frederico García Lorca, um papel dinamizador e central na chamada “Generación artística del 27”, da qual figuram nomes como Luís Buñuel, Salvador Dalí ou García Lorca. A nível internacional actuou como elo entre vários intelectuais europeus e como amigo íntimo de Pablo Neruda, Vinicius de Moraes, Louis Aragon, Elsa Triolet, Picasso, Ilia Ehremburg e muitos outros. Nunca chegou a terminar os seus estudos de bacharel, porque para além de poeta, foi pintor, dramaturgo, guionista e, durante a guerra civil Espanhola, responsável pela salvaguarda das telas do Museu do Prado dos bombardeamentos da aviação franquista. &lt;br /&gt;
Foi um viajante assíduo e, contra a sua vontade, um exilado mais assíduo ainda dada a sua devoção ao Partido Comunista de Espanha e a sua participação activa na Guerra Civil Espanhola (1936-1939) em favor da II República. Viveu exilado 38 anos, dos quais, quase um ano em Paris e quatorze em Roma. Isto levou-o, em coerência com o seu carácter explorador e ecléctico, a escrever poemas em várias línguas ou directamente na dupla versão do original. Primeiro &lt;em&gt; Vida Bilingüe de un refugiado español en Francia&lt;/em&gt;,  e mais tarde &lt;em&gt; Roma, peligro para caminates &lt;/em&gt;,  dos quais publicamos aqui um par de excertos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;dd&gt;&lt;br /&gt;&lt;/dd&gt;&lt;dd&gt;(Es la Francia de Daladier,&lt;br /&gt;
&lt;/dd&gt;&lt;dd&gt;&lt;br /&gt;&lt;/dd&gt;&lt;dd&gt;de Leon Blum y de Bonnet,&lt;br /&gt;
&lt;/dd&gt;&lt;dd&gt;&lt;br /&gt;&lt;/dd&gt;&lt;dd&gt;la que aplaude a Franco en el cine,&lt;br /&gt;
&lt;/dd&gt;&lt;dd&gt;&lt;br /&gt;&lt;/dd&gt;&lt;dd&gt;la Francia des Actualités.)&lt;br /&gt;
¡Qué terror, qué terror, allá lejos!&lt;br /&gt;
La sangre quita el sueño,&lt;br /&gt;
hasta a la mar la sangre quita el sueño.&lt;br /&gt;
Nada puede dormir.&lt;br /&gt;
Nadie puede dormir.&lt;br /&gt;
&lt;/dd&gt;&lt;dd&gt;&lt;br /&gt;&lt;/dd&gt;&lt;dd&gt;…Y el miércoles del Havre sale un barco,&lt;br /&gt;
y este triste &lt;em&gt;allá lejos&lt;/em&gt; se quedará más lejos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
–Yo a Chile,&lt;br /&gt;
yo a la URSS,&lt;br /&gt;
yo a Colombia,&lt;br /&gt;
yo a México.&lt;br /&gt;
Yo a México con J. Bergamín.&lt;br /&gt;
¿Es que llegamos al final del fin&lt;br /&gt;
o que algo nuevo comienza?&lt;br /&gt;
&lt;/dd&gt;&lt;dd&gt;&lt;br /&gt;&lt;/dd&gt;&lt;dd&gt;–Un café crème, garçon.&lt;br /&gt;
&lt;/dd&gt;&lt;dd&gt;&lt;br /&gt;&lt;/dd&gt;&lt;dd&gt;Avez-vous «Ce Soir»?&lt;br /&gt;
&lt;/dd&gt;&lt;dd&gt;&lt;br /&gt;&lt;/dd&gt;&lt;dd&gt;&lt;br /&gt;&lt;/dd&gt;&lt;dd&gt;Es la vida de la emigración&lt;br /&gt;
&lt;/dd&gt;&lt;dd&gt;&lt;br /&gt;&lt;/dd&gt;&lt;dd&gt;&lt;br /&gt;&lt;/dd&gt;&lt;dd&gt;y un gran trabajo cultural.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;NOCTURNO&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Toma y toma la llave de Roma,&lt;br /&gt;
porque en Roma hay una calle,&lt;br /&gt;
en la calle hay una casa,&lt;br /&gt;
en la casa hay una alcoba,&lt;br /&gt;
en la alcoba hay una cama,&lt;br /&gt;
en la cama hay una dama,&lt;br /&gt;
una dama enamorada,&lt;br /&gt;
que toma la llave,&lt;br /&gt;
que deja la cama,&lt;br /&gt;
que deja la alcoba,&lt;br /&gt;
que deja la casa,&lt;br /&gt;
que sale a la calle,&lt;br /&gt;
que toma una espada,&lt;br /&gt;
que corre en la noche,&lt;br /&gt;
matando al que pasa,&lt;br /&gt;
que vuelve a su calle,&lt;br /&gt;
que vuelve a su casa,&lt;br /&gt;
que sube a su alcoba,&lt;br /&gt;
que se entra en su cama,&lt;br /&gt;
que esconde la llave,&lt;br /&gt;
que esconde la espada,&lt;br /&gt;
quedándose Roma&lt;br /&gt;
sin gente que pasa,&lt;br /&gt;
sin muerte y sin noche,&lt;br /&gt;
sin llave y sin dama.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No seu regresso a Espanha em 1977, ao descer as escadas do avião, face a um considerável grupo de jornalistas (congregados ali para a ocasião), pronunciou a frase que viria a definir, mais tarde, o espírito de transição pacífica para a democracia no seu país: “Sai de Espanha com o punho fechado e regresso com a mão aberta em sinal de concórdia entre todos os espanhóis”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Primera entrevista de Rafael Alberti na televisão após o seu regresso do exílio: ainda confunde palavras espanholas com italianas e vice versa.&lt;br /&gt;
&lt;object width=&quot;425&quot; height=&quot;373&quot;&gt;&lt;param name=&quot;movie&quot; value=&quot;http://www.youtube.com/v/WvyMQb9Lhpo&amp;rel=1&amp;border=1&quot;&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name=&quot;wmode&quot; value=&quot;transparent&quot;&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src=&quot;http://www.youtube.com/v/WvyMQb9Lhpo&amp;rel=1&amp;border=1&quot; type=&quot;application/x-shockwave-flash&quot; wmode=&quot;transparent&quot; width=&quot;425&quot; height=&quot;373&quot;&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;
&lt;strong&gt;Não perca o nosso artigo especial com Mª Asunción Mateo, viúva do poeta e responsável da Fundación Rafael Alberti, a publicar no dia 16 de Dezembro em comemoração do 105º aniversário deste mito espanhol do século XX.&lt;/strong&gt;
&lt;/object&gt;&lt;/dd&gt;</description>
    
    
    
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  <item>
    <title>Antonello Faretta: «Graças ao Cinema voltei a andar».</title>
    <link>http://poetry.cafebabel.com/pt/post/2007/10/10/iGracies-al-cinema-vaig-tornar-a-caminar/i</link>
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    <pubDate>Fri, 26 Oct 2007 14:06:00 +02:00</pubDate>
    <dc:creator>ignnis</dc:creator>
        <category>Perfis europeus</category>
            
    <description>“Graças ao Cinema voltei a andar” confessa Antonello Faretta. O realizador de Nine poems in Basilicata, um filme inspirado nos poemas do nova-iorquino John Giorno, faz-nos esta e muitas outras confissões . Fala-nos de cinema, de poesia e da vida, num dia de Outono em plena praça MACBA, em Barcelona.    Para trás ficou um Verão curto. Hoje, enfim, parece que o Outono chegou. Está frio e a praça MACBA treme de impaciência. No auditório subterrâneo, somos cerca de 40 pessoas à espera de que um &lt;em&gt;play&lt;/em&gt; nos traga a poesia de &lt;strong&gt;Jhon Giorno&lt;/strong&gt;, poeta contemporâneo e nova-iorquino que escolheu os últimos dias de Setembro para apresentar em Barcelona &lt;em&gt;Nine poems in Basilicata&lt;/em&gt;, um filme que dá imagem à voz e espelhos aos gestos desta rapsódia. .&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;img src=&quot;http://www.cafebabel.com/photos/farettagiornomacba251007.jpg&quot; alt=&quot;Faretta y Giorno durante o colóquio na praça MACBA (Foto, Silvia Bel)&quot; title=&quot;Faretta y Giorno durante o colóquio na praçaMACBA (Foto, Silvia Bel)&quot; align=&quot;middle&quot; /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;
A polivalência de Giorno (actor, performer, activista eterno e um extenso etcétera) podia-nos fazer pensar que esta é mais outra iniciativa do poeta que quase converteu a poesia numa arte de massas. Mas se o pensassemos estaríamos errados. &lt;em&gt;Nine poems in Basilicata&lt;/em&gt; é o fruto de um jovem e entusiasta realizador italiano, &lt;strong&gt;Antonello Faretta&lt;/strong&gt;, que nos confessa que tudo surgiu do nada: « Eu não conhecia a figura de Giorno, mas quis o acaso que nos conhecêssemos em Basilicata, quando ele andava a pesquisar sobre as suas origens familiares».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Aquela descoberta casual vincou o ponto de partida da sua colaboração. O resultado? 50 minutos e nove poemas (alguns inéditos) que nos transportam a uma rua abandonada e nos fazem entrar numa casa vazia de onde se distingue um lâmpada amarelada. Nove poemas que nos fazem sonhar, evadir, lutar debaixo da cortiça de uma árvore, molharmo-nos com Giorno resguardados debaixo de uma enorme pedra , sentirmos a morte de William Burrouhgs numa aldeia metralhada, entrarmos numa igreja para rezar pelos amigos que ainda vivem; e por aqueles que já não vivem; e com eles no pensamento subirmos até um castelo que nos deslumbra, cansados como Giorno, encontramos depois a luz que nos repete incansavelmente «nenhuma acção cai impune» e que por muitos «golpes contra o asfalto com o punho cheio de água» que demos, acabamos todos por morrer vestidos de terra e com gerânios na cabeça como melhor chapéu de despedida. &lt;br /&gt;
&lt;object width=&quot;425&quot; height=&quot;373&quot;&gt;&lt;param name=&quot;movie&quot; value=&quot;http://www.youtube.com/v/wD62A34xXi8&amp;rel=1&amp;border=1&quot;&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name=&quot;wmode&quot; value=&quot;transparent&quot;&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src=&quot;http://www.youtube.com/v/wD62A34xXi8&amp;rel=1&amp;border=1&quot; type=&quot;application/x-shockwave-flash&quot; wmode=&quot;transparent&quot; width=&quot;425&quot; height=&quot;373&quot;&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nove poemas e nove lugares que também se encontram por mera casualidade, assegura Faretta. «Basilicata é uma região que acolhe muito bem a poesia. Cada manhã levantámo-nos, almoçámos, usávamos o carro e parávamos por intuição. Todos os lugares, mais que do que procura-los eram eles que nos encontravam a nós». &lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Pergunto-lhe pelos dois únicos figurinos do filme: um no primeiro poema e outro no último. Pergunto-lhe se isso também é obra do acaso - porque seriam demasiados acasos que os dois sejam mulheres e de idades tão disparas -. No primeiro poema a protagonista, que se mantém quase imóvel em segundo plano, é uma velha sentada numa cadeira à entrada de sua casa, ao mesmo tempo que Giorno, em primeiro plano nos lança palavras da rua. «Esta velha conheci-a um dia antes da rodagem. No dia seguinte quando trago o Jonh à aldeia, chamei-a e disse-lhe que tinha trazido um poeta e que se ela quissesse podia vir cá fora e ouvi-lo. Veio encantada. Tinha arteriosclerose e repetia o tempo todo as mesmas coisas, obsessivamente. Neste ponto assemelhava-se a Giorno», confessa Faretta. Da mulher do último poema só nos revela que era uma ex-presidiária que foi viver para o convento onde faziam a rodagem. Intui-se que por detrás disto se esconde uma história muito mais complexa. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;Retratos e confissões do artista&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Faretta demorou 3 anos para rodar este filme. «É sempre fantástico desejar-se surpreender pela realidade. Por isso decidi trabalhar sem guião. No entanto, as distâncias, as viagens entre a América e a Itália e as complicações da rodagem, realizada integralmente em Itália, prolongaram o tempo de filmagens. Tentei trabalhar em lugares de franciscanos : a minha única tarefa foi a de procurar estar ausente e confiar na generosidade de Jonh», explica Faretta durante o colóquio que se improvisa depois de passarem o filme. É a confissão de alguém modesto que acredita que o caminho do artista « é melhor procura-lo a partir do anonimato e não da popularidade». Viemos cá para fora e fomos tomar uma cerveja, ficamos a ali a falar, primeiro da produção, depois da distribuição e, quando a conversa parecia apagar-se, começaram as confissões de verdade. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt; «Aos 18 anos estudei para ser engenheiro, mas o que eu gostava mesmo era de fotografar. Foi assim que fui parar a Paris. Aos 19 tive um acidente que me meteu numa cama, obrigando-me a ver o mundo sempre do mesmo ângulo». Muita gente pode pensar que isto é uma desgraça, mas foi graças a esta sorte, se assim o podemos entender, que Faretta começou a devorar filmes, a tomar notas, a concretizar ideias. E foi precisamente nessas semanas de hospital e convalescença que teve a sorte de encontrar 3 pessoas que lhe mudariam a vida. Com o olhar perdido no passado, Faretta confessa-nos com a voz emocionada que a primeira coisa que o ajudou na sua recuperação vou o cinema. «Graças ao cinema voltei a andar». A segunda pessoa é o reconhecidíssimo cineasta &lt;a href=&quot;http://es.wikipedia.org/wiki/Abbas_Kiarostami&quot; target=&quot;”_blank”&quot;&gt;Abbas Kiarostami&lt;/a&gt; que Faretta define como «um homem que fala pouco, mas que quando fala revela genialidade». O terceiro encontro foi com Babak Payami, também cineasta (melhor director no Festival de Veneza 2001). &lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Faretta não é de falar pouco. Ao contrário. É generoso com as palavras, que deixam anunciar segredos. Farella é mais filósofo que cineasta: «Procuro continuamente a tranquilidade em mi mesmo». &lt;br /&gt; &lt;br /&gt; A continuação, uns versos escolhidos do italiano &lt;a href=&quot;http://www.pasolini.net/espanol.htm&quot; target=&quot;”_blank”&quot;&gt;Pasolini&lt;/a&gt;, de quem Faretta é um fulguroso seguidor . Os versos do poema intitulado &lt;em&gt;A um menino&lt;/em&gt; poderiam, por que não, fazer também referência ao realizador Italiano: &lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;div align=&quot;left&quot;&gt;Tú, com fresco pudor e ingenuamente &lt;br /&gt; depreendido, descobres para ti e para nós a tua presença. &lt;br /&gt; Com o sorriso turvo de quem esconde &lt;br /&gt; timidez e juventude com alegria, &lt;br /&gt; vens entre os amigos adultos e com humilde &lt;br /&gt; orgulho, ardentemente mudo, sentas-te atento &lt;br /&gt; às nossas ironias, às nossas paixões. &lt;br /&gt; (…)&lt;br /&gt; Ficas connosco uns minutos, discreto, &lt;br /&gt; e a pesar de timido falas afinando a agudeza&lt;br /&gt; da jovial, paterna e precose sabedoria. &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;Pier Paolo Pasolini&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;/object&gt;</description>
    
    
    
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    <title>Rilke, poeta apátrida europeu.</title>
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    <pubDate>Fri, 05 Oct 2007 14:30:00 +02:00</pubDate>
    <dc:creator>ignnis</dc:creator>
        <category>Perfis europeus</category>
            
    <description>&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Depois da Primeira Guerra Mundial e do desaparecimento do Império Austro-Húngaro, Rilke torna-se num apátrida. Daí que o possamos considerar como um dos primeiros poetas genuinamente europeus da nossa época moderna, um desprovido de toda a paixão nacionalista tão cara aos seus contemporâneos.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;    &amp;nbsp;Nascido em Praga em 1875, o poeta Rainer Maria Rilke viveu em primeira-mão a decomposição da Europa dos impérios e das aristocracias deterioradas. Originário de uma família da elite austro-húngara, dedica grande parte da sua vida adulta a viajar por todo o continente ao ritmo que lhe permitia a sua saúde, sempre frágil e enferma; cultiva também as suas amizades sempre mimadas através da sua infatigável actividade epistolar. A Alemanha, a França, a Itália, a Suécia, a Bélgica, a Holanda, a Espanha, a Rússia e a Suiça (entre outros) foram os países que acolherem este escritor que raramente voltaria à sua cidade natal. Depois da Primeira Guerra Mundial e do desaparecimento do Império Austro-húngaro, Rilke torna-se num apátrida. Daí que o possamos considerar como um dos primeiros poetas genuinamente europeus da nossa época moderna, um desprovido de toda a paixão nacionalista tão cara aos seus contemporâneos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;img src=&quot;http://www.cafebabel.com/photos/duino280807.jpg&quot; alt=&quot;Château de Duino, en Italie, Rilke y passa de longues saisons (Foto, Deanz/Flickr)&quot; title=&quot;Château de Duino, em Itália, Rilke passa aqui longas temporadas (Foto, Deanz/Flickr)&quot; align=&quot;middle&quot; /&gt;
&lt;em&gt;Château de Duino, em Itália, Rilke passa aqui longas temporadas &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desde muito jovem que Rilke considerava o artista como um ser sem «outra pátria que ele mesmo», mostrando-se contrário à ideia de considerar os artistas de um país ou outro: “Que a Arte, no seu cume, não possa ser nacional faz que cada artista nasça, propriamente dito, para o estrangeiro”, escreve Rilke ao poeta russo Tsvétaïéva. Ora isto não surpreende, visto que este praguense que escrevia geralmente em alemão e que usava igualmente a língua francesa sem complexos para compor os seus versos, dava uso a um multilinguismo excepcional para a história da poesia europeia, que mais tarde, nos anos sessenta do século XX, poetas como Paul Celan estigmatizariam afirmando que “não acreditarem no bilinguismo na poesia”. Raros são, de facto, ao poetas europeus que decidiram se exprimir em diferentes línguas: Samuel Beckett, Rafael Alberti…&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesta perspectiva, o que faz de Rilke um poeta moderno é esta sua particular concepção da vida do artista, no sentido de experiência voltada para a descoberta do seu mundo interior oposta à procura de reconhecimento do «mundo exterior». A sua visão individualista da solidão do Homem em todos os momentos da sua vida, influenciou gerações inteiras de poetas durante todo o século XX, até aos nossos dias. As suas cartas ao poeta alemão Kappus – tão importantes para a história da literatura como os seus poemas – oferecem-nos uma aula tão básica quanto simples sobre a atitude, que segundo o poeta, todo o artista deve cultivar em si próprio para concretizar o seu engrandecimento pessoal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Em baixo, a transcrição de dois poemas que Rilke redige em francês já no final da sua vida.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A nossa penúltima palavra&lt;br /&gt;
seria uma palavra de miséria,&lt;br /&gt;
mas atrás da consciência-mãe&lt;br /&gt;
o todo último será bonito.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Porque vai ser preciso resumir&lt;br /&gt;
todos os esforços de um desejo&lt;br /&gt;
que nenhum gosto de amargura&lt;br /&gt;
não saberá conter.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*******&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Paremos um pouco, causem.&lt;br /&gt;
Sou ainda eu, esta noite, que me paro,&lt;br /&gt;
São ainda vocês que me escutam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um pouco mais tarde outros irâo jogar&lt;br /&gt;
Aos vizinhos na estrada&lt;br /&gt;Debaixo destas belas arvores, que nos emprestamos.&lt;br /&gt;</description>
    
    
    
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      </item>
    
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    <title>Colóquio Miguel Torga – dias 17 e 18 na Fundação Calouste Gulbenkian, Paris.</title>
    <link>http://poetry.cafebabel.com/pt/post/2007/10/04/Coloquio-Miguel-Torga-dias-17-e-18-na-Fundacao-Calouste-Gulbenkian-Paris</link>
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    <pubDate>Thu, 04 Oct 2007 13:11:00 +02:00</pubDate>
    <dc:creator>ignnis</dc:creator>
        <category>Agenda</category>
            
    <description>&lt;strong&gt;Para o poeta iberista, Miguel Torga, a Península Ibérica deveria ser uma colectividade de nações unidas telúrica e espacialmente.&lt;/strong&gt;    Um colóquio internacional e uma exposição bibliográfica dedicadas ao poeta vão trazer à Fundação Calouste Gulbenkian de Paris, nos dias 17 e 18 deste mês, das 9 às 18horas, Manuel Alegre, Eduardo Lourenço, Clara Crabée Rocha (filha do poeta), Emílio Rui Vilar (director da fundação que acolhe o evento), Catherine Dumas, Maria Graciete Besse, Maria Helena Araújo Carreira, Fernando J.B.Martinho, Teresa Rita Lopes, Luís Mourão, Paulo de Medeiros (entre outros professores e pesquisadores académicos). Este evento acontece no centenário do nascimento de Adolfo Rocha, aliás, Miguel Torga.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;Escapar à pobreza&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Adolfo Correia Rocha nasce em 1907, em São Martinho da Anta (Trás-os-Montes), uma aldeia portuguesa de um Portugal profundo, 3 anos antes da República se implementar no país. Era filho de um «pobre cavador sensível» que «chorou de alegria» por ver o seu filho passar com distinção no exame da quarta classe e por isso mesmo lhe ofereceu um cavaquinho para que a música alegrasse o agreste dos dias do rapaz que deveria ter por fado ou o trabalho árduo que a terra exige, ou o seminário para que os estudos prosseguissem. Miguel Torga nasceria em 1934, quando Rocha contrariando o seu destino, era já estudante de medicina em Coimbra e trás a lume &lt;em&gt;A Terceira Voz&lt;/em&gt;, depois de uma temporada emigrado no Brasil, em casa de um tio, o mesmo que lhe financiaria os estudos na capital estudantil portuguesa. O pseudónimo Torga faz referência a uma planta bravia (urze) que nasce espontânea no chão de Trás-os-Montes e&amp;nbsp; Miguel faz referência à admiração que o poeta tinha pelos escritores Miguel de Cervantes e Unamuno, Miguel Torga torna-se poeta e prosador. Canta a terra áspera de clima inclemente, berço de granito mas também de lavoura;  canta a gente que cava o chão e faz o pão feito de suor; fala de um país, à época, à esquina das esquinas da Europa, um país que poucos queriam falar, descortinando assim a dimensão real da humanidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;img src=&quot;http://www.cafebabel.com/photos/torga111007.jpg&quot; alt=&quot;Estátua de Torga no Parque de Poetas de Oeiras&quot; (foto,=&quot;&quot; portuguese_eyes=&quot;&quot; flickr)=&quot;&quot; title=&quot;Estátua de Torga no Parque dos Poetas de Oeiras (Foto, Portuguese_eyes/flickr)&quot; align=&quot;left&quot; /&gt;&lt;strong&gt;Um iberista assumido&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;Em  toda a sua obra um certo iberismo (assumido) esboça-se: « a minha pátria cívica acaba em Barca de Alva, (...) a minha pátria telúrica nos Pirinéus.», a provar o tom actual da sua filosofia.&amp;nbsp; Perdidos os impérios coloniais, findas as ditaduras que emergiram da crise finissecular nos dois países, criada a União Europeia, que relações para estes dois estados que desde há muito partilham alegrias e as suas tristezas? O que Torga propõe passa pela reivindicação de um legado cultural e um destino comuns para as pátrias de Camões e Lorca, poetas que lia e admirava.  Para Torga a Península Ibérica deve ser uma colectividade de nações unidas telúrica e espacialmente num único espírito. Escreveu, este médico feito poeta : «trago torgas à rosa de Granada» e «enquanto  houver  poesia continuará a existir vida e o povo na Ibéria.»  Torga: historiador que antecipa a história? Visionário? Profético? Pro-Europa, assumido!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;PESADELO DE D.QUIXOTE&lt;br /&gt;
Sancho: ouço uma voz etérea&lt;br /&gt;
Que nos chama…&lt;br /&gt;
Ibéria, dizes tu?!... Disseste Ibéria?!&lt;br /&gt;
Acorda, Sancho, é ela a nossa dama !&lt;br /&gt;
Pois de quem hão-de ser estes gemidos?!&lt;br /&gt;
Pois de quem hão-de ser?!&lt;br /&gt;
Só dela, Sancho, que nos meus ouvidos
Anda o seu coração a padecer…&lt;br /&gt;
Ergue-te, Sancho! Quais moinhos?! Quais?!&lt;br /&gt;
Ai! Pobre Sancho, que não sabes ver&lt;br /&gt;
Em moinhos iguais&lt;br /&gt;
Qual deles é só moinho de moer&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;Obras como &lt;em&gt;Ansiedade &lt;/em&gt;(1930), &lt;em&gt;O Outro livro de Job &lt;/em&gt;(1936), &lt;em&gt;Orfeu Rebelde&lt;/em&gt; (1958), &lt;em&gt;A criação do Mundo &lt;/em&gt;(1937), &lt;em&gt;Poemas Ibéricos &lt;/em&gt;(1965), &lt;em&gt;Novos Contos da Montanha &lt;/em&gt;(1944), &lt;em&gt;Um Reino Maravilhoso &lt;/em&gt;(1941), &lt;em&gt;Terra Firme, Mar &lt;/em&gt;(1941), &lt;em&gt;Bichos&lt;/em&gt; (1940), &lt;em&gt;Diário &lt;/em&gt;(16 volumes entre 1941 e 1983) e muitos outros&amp;nbsp; fizeram com que o Nobel se escapasse por pouco. A sua aversão à fama  era conhecida e talvez por isso fique na a ideia de alguns um Torga de carácter duro, avesso aos meios das elites vaidosas. Recusou o primeiro prémio literário que lhe foi atribuído em 1954, no entanto aceitou receber muitos outros, entre os quais o Prémio Camões, em 1990.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A VIDA É FEITA DE NADAS&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;A vida é feita de nadas&lt;br /&gt;
De grandes serras paradas&lt;br /&gt;
À espera de movimento;&lt;br /&gt;
De searas onduladas pelo vento;&lt;br /&gt;
De casas de moradia	&lt;br /&gt;
Caídas e com sinais&lt;br /&gt;
De ninhos que outrora havia&lt;br /&gt;
Nos beirais;&lt;br /&gt;
De poeira;&lt;br /&gt;
De sombra de uma figueira;&lt;br /&gt;
De ver esta maravilha:&lt;br /&gt;
Meu pai a erguer uma videira&lt;br /&gt;
Como uma mãe que faz a trança à filha.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;Adolfo Rocha, o médico, o homem que consultava, falava, prescrevia receitas aos seus pacientes e todos os dias passava pela Farmácia Rodrigues da Silva para dar dois dedos de conversa ao seu amigo João Fernandes, faleceu no dia 17 de Janeiro de 1995. Tinha 87. Hoje, a diversidade, originalidade e porte da obra de Miguel Torga: 700 poemas, 94 novelas, 2 romances, 16 volumes de diário, 2 volumes de ensaios, 15 antologias poéticas e 3 peças de teatro fazem dele um dos maiores vultos da Literatura Ibérica de sempre e um dos maiores poetas europeus do século XX. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para mais informações sobre o colóquio, &lt;a href=&quot;http://www.portugalvivo.com/spip.php?article2463&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;cliquez ici&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;em&gt;Photo Estátua de Torga no Parque de Oeiras: Portuguese_eyes/Flickr)&lt;/em&gt;</description>
    
    
    
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  <item>
    <title>David Eloy Rodríguez: “O sucesso e a vitória não passam de mal-entendidos”.</title>
    <link>http://poetry.cafebabel.com/pt/post/2007/07/23/David-Eloy-Rodriguez%3A-El-exito-y-la-victoria-solo-son-formas-del-malentendido</link>
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    <pubDate>Thu, 26 Jul 2007 18:44:00 +02:00</pubDate>
    <dc:creator>ignnis</dc:creator>
        <category>Perfis europeus</category>
            
    <description>&lt;strong&gt;A partir da sua base de operações, no castiço bairro da Alameda de Hércules, em Sevilha, com a tradicional vizinhança ainda assombrada de personagens “deep south”, vadios à procura de um Eldorado nocturno, meretrizes e estudantes todos à caça uns dos outros, mas também de bebedeiras e de ressurreições anímicas (nos bares ou nos bancos da rua), este poeta nascido em Cáceres (Extremadura) e sevilhano de adopção, mostra, para lá de 15 anos, urbi et orbe,a sua paixão pelo presente, pelo seu grupo de amigos, el pandilleo, e por todos os “perdedores” do planeta.&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt;    &lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;border: 1px solid ; padding: 15px;&quot; ;=&quot;&quot; align=&quot;left&quot;&gt;&lt;img title=&quot;David Eloy Rodríguez (Foto, DER)&quot; alt=&quot;David Eloy Rodríguez (Foto, DER)&quot; src=&quot;http://www.cafebabel.com/photos/davideloy240707.jpg&quot; align=&quot;left&quot; /&gt;O escritor David Eloy Rodríguez de 31 anos, considera-se um homem “do sul” e do seu tempo: “não saberia ser de outra maneira”- diz. Com três livros de poemas no mercado e toda uma panóplia de iniciativas à volta da poesia, da acção cultural e da poli-poesia acaba de embarcar numa nova aventura. Desta vez no universo da literatura e da criação, inaugurando, com o seu inseparável amigo e poeta José María Gómez Valero, a editora independente Libros de la Herida (Livros da Ferida). Um projecto “que tem por vocação não ter futuro”, como sublinha (com agrado), o próprio, deixando sempre – sem o verbalizar - a porta aberta à essa opinante vontade de sobreviver a tudo o que se possa considerar provisório: “Com os Libros de la Herida o que nós pretendemos, sem perder contudo o devido respeito à profissão de editor, é viver o mundo do livro de um ângulo diferente daquele que estávamos habituados, concebendo-o como um objecto para continuar a aprender”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CHICAGO FARENHEIT&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá fora a cidade asfixia-se &lt;br /&gt;No meio de um onda de calor&lt;br /&gt;sem precedentes, dizem. &lt;br /&gt;Vejo o calor. Fumo. &lt;br /&gt;E pressinto os seus passos&lt;br /&gt;Oiço-o&lt;br /&gt;através dos vidros&lt;br /&gt;de uma biblioteca refrigerada&lt;br /&gt;desta cidade de Chicago. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;border: 1px solid ; padding: 15px;&quot; ;=&quot;&quot; align=&quot;left&quot;&gt;&lt;img title=&quot;Biblioteca Pública de Chicago (Foto, drdrewhonolulu/Flickr)&quot; alt=&quot;Biblioteca Pública de Chicago (Foto, drdrewhonolulu/Flickr)&quot; src=&quot;http://www.cafebabel.com/photos/bibliotecachicago230707.jpg&quot; align=&quot;left&quot; /&gt;&lt;em&gt;Chrauf&lt;/em&gt; (1996) é o seu primeiro livro de poesia– e valeu-lhe logo o Prémio da Poesia da Universidade de Sevilha-. Mais tarde, entre outros prémios e colaborações em obras colectivas e revistas especializadas, David Eloy Rodriguéz publica &lt;em&gt;Miedo de ser Escarcha&lt;/em&gt; (2000) e &lt;em&gt;Asombros&lt;/em&gt; (2006).Continuou entretanto a dirigir ateliers de criação literária, a conceber e a representar um pouco por toda a Espanha espectáculos de poesia musical e cénica. Chegou mesmo a gravar um disco com o Circo de la Palabra Itinerante, grupo do qual fazia parte: uma experiência colectiva na poesia e na música que acabaram por deixar em pousio após 10 anos de caminho,&quot;precisamente para se entalar-se até ao pescoço&quot; com outras histórias e outras criações &lt;ahref=HTTP: target=&quot;”_blank”&quot; polipoes%c3%ada=&quot;&quot; wiki=&quot;&quot; es.wikipedia.org=&quot;&quot;&gt;polipoéticas. “Sempre quis unir as diversas formas de expressão da palavra poética de acção [cena, música, performance], ir à procura de novos caminhos de expressão dentro da própria tradição, para inovar e assim, melhor ir ao encontro dos leitores; isto é, leitores não concebidos como simples receptores de texto, mas e principalmente como cúmplices, como amigos, como camaradas de vida”. Amigos que encontra em todos os sítios por onde passa, mas especialmente na Catalunha, uma das regiões pioneiras no que diz respeito à criação da poli-poética. Graças à &lt;a href=&quot;http://www.firamagica.com/index.php?idioma=esp&quot; target=&quot;”_blank&quot; ”=&quot;&quot;&gt;Fira Mágica&lt;/a&gt; e ao Festival Internacional de Polipoesía, onde o disco de David Eloy,&lt;em&gt;Arte a la idea&lt;/em&gt;,conheceu um enorme sucesso. Uma peça em coro repleta de irreverência e transbordante de uma amizade incondicional. &lt;/ahref=HTTP:&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deve de ser rara&lt;br /&gt;a flor que floresce na tua varanda: &lt;br /&gt;sobressai, formosa e frágil, &lt;br /&gt;por entre os barrotes; &lt;br /&gt;é a única na tua rua; &lt;br /&gt;é Inverno. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;border: 1px solid ; padding: 15px;&quot; ;=&quot;&quot; align=&quot;left&quot;&gt;&lt;strong&gt;“Reflexão para acção ”&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img title=&quot;Columnas de la Alameda de Hércules, en Sevilla (Foto, darkimp_666/Flickr)&quot; alt=&quot;Columnas de la Alameda de Hércules, en Sevilla (Foto, darkimp_666/Flickr)&quot; src=&quot;http://www.cafebabel.com/photos/columnasalameda230707.jpg&quot; align=&quot;left&quot; /&gt;A partir da sua base de operação, no castiço bairro da Alameda de Hércules, em Sevilha, com a tradicional vizinhança ainda assombrada de personagens &lt;em&gt;deep south&lt;/em&gt;, vadios à procura de um Eldorado nocturno, meretrizes e estudantes todos à caça uns dos outros, de bebedeiras e de ressurreições anímicas, nos bares ou nos bancos da rua, este veterano que nasceu em Cáceres (Extremadura) e sevilhano de adopção, mostra, para lá de 15 anos, &lt;em&gt;urbi et orbe&lt;/em&gt;,a sua paixão pelo presente, pelo seu grupo de amigos, &lt;em&gt;el pandilleo&lt;/em&gt;, e por todos os “perdedores” do planeta. Mas questionemo-nos: não está já muito batida esta pose de poeta preocupado com os mais débeis? “Mas como não nos fixarmos com os os mais fracos!”-contra-ataca o poeta. “São, somos, todos uma maioria. Neste sistema em que padecemos, somos todos perdedores. O êxito, a vitória e a fama não passam de mal-entendidos. A injustiça não é o que quer ser a voz dos perdedores! Parece-me mais justo enfrentar-se a existência de um conflito do que negá-la. Importo-me muito mais com quem sabe assumir uma derrota”.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando a vida é uma prisão &lt;br /&gt;tu és o whisky nessa prisão.&lt;br /&gt;Quando a vida é uma prisão&lt;br /&gt;tu és o sol atrás da janela, &lt;br /&gt;portas abertas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;border: 1px solid ; padding: 15px;&quot; ;=&quot;&quot; align=&quot;left&quot;&gt;&lt;strong&gt;Um poeta de conflito&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style=&quot;width: 122px; height: 61px;&quot; title=&quot;Estampa clássica de Praga (Foto, Xavi Hervás)&quot; alt=&quot;Estampa clássica de Praga (Foto, Xavi Hervás)&quot; src=&quot;http://www.cafebabel.com/photos/pragaclasica190707.jpg&quot; align=&quot;left&quot; /&gt;Atrás dos seus olhos de marmota adormecida e do seu sorriso de gato de Cheshire –sem sombra de sorna alguma -, David Eloy Rodríguez representa muito provavelmente um dos poetas mais activos das jovens letras espanholas e uma das suas vozes mais singulares, isto à mercês da sua singular visão da poesia e da existência como um conflito, do qual é necessário se abordar “ depois da reflexão e para a acção” &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ELES DISSERAM&lt;br /&gt;Eles disseram: “a partir daqui, mais nada. &lt;br /&gt;
&lt;dd&gt;A partir de aqui, vejam, &lt;br /&gt;&lt;/dd&gt;
&lt;dd&gt;&lt;br /&gt;&lt;/dd&gt;
&lt;dd&gt;é água limpída”.&lt;br /&gt;Mas nós continuamos a ver&lt;br /&gt;O MESMO RIO SUJO. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;border: 1px solid ; padding: 15px;&quot; ;=&quot;&quot; align=&quot;left&quot;&gt;“Eu não gosto muito de me queixar, mesmo, se em bom espanhol, perco muito mais tempo do que aquele que queria em imprecauções ”, sublinha David E. Rodriguez para dar continuidade à ideia de que a poesia “não quer ignorar a construção permanente de um mundo injusto”. Mas, não é bocadinho tarde para ser-se um poeta social? Nada a ver. Foi preciso esquecer as etiquetas demasiado redutoras para que este escritor aceitasse que o catalogássemos de “poeta de conflito” ou “poeta da resistência”. Não é a primeira vez que ele se vê na obrigação de desmascarar aqueles que o pintam como “poeta social” que denuncia uma ordem injusta “simplesmente para liquidar um problema”. ‘Isso é como se fazia nos anos 50’, diz-se assim para evitar fazer frente à critica que contém um poema ”.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;border: 1px solid ; padding: 15px;&quot; ;=&quot;&quot; align=&quot;left&quot;&gt;&lt;strong&gt;“As cidades são as experiências que tivemos nelas”&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style=&quot;width: 210px; height: 210px;&quot; title=&quot;Buenos Aires (Foto, dbuc/Flickr)&quot; alt=&quot;Buenos Aires (Foto, dbuc/Flickr)&quot; src=&quot;http://www.cafebabel.com/photos/buenosaires230707.jpg&quot; align=&quot;left&quot; /&gt;Os poemas de David Eloy Rodríguez são cheios de cidade e cidades. Praga, Chicago, Barcelona, Berlim ou Lyon, são algumas das paragens oficiais que os seus versos contém, as artérias nas quais ele faz circular a sua iconografia urbana tão pessoal e combinada de sentimentalismo cómico e auto-irrisório incofessado, segundo a técnica do palhaço. O poeta continua a insistir sobre o facto de que a sua escrita “ é um exercício de conhecimento da realidade, uma busca” para amassar as suas experiências. “Cada um escreve da experiência vivida e sonhada, e a minha experiência de vida sempre se passou na cidade enquanto espaço simbólico e em sentido amplo”, explica. “ Em todo o caso, noto que as cidades são as experiências que nós vivemos ou que nós sonhamos nelas e não os seus monumentos”. Eis&amp;nbsp; o porquê de nos seus versos encontrarmos ambientes citadinos em vez de lugares típicos ou sítios conhecidos. “Obviamente, se eu vivesse no campo a minha poesia seria com certeza outra », assume, queixando-se que em Espanha se infra-desvalorizou a poesia de experiência rural. “E isso surpreende-me muito ”, discerne, “porque afinal nós somos quase todos filhos de emigrantes do mundo rural para a cidade e no entanto ignoramos simplesmente esse mesmo mundo rural. E isso é um erro”, acredita, “e sobretudo, pensar que tudo o que é urbano é tudo aquilo que é actual.”&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style=&quot;width: 310px; height: 264px;&quot; title=&quot;David Eloy Rodríguez (Foto, DER)&quot; alt=&quot;David Eloy Rodríguez (Foto, DER)&quot; src=&quot;http://www.cafebabel.com/photos/davideloyperfil240707.jpg&quot; align=&quot;middle&quot; /&gt; &lt;br /&gt;&lt;/dd&gt;&lt;dd&gt;&lt;br /&gt;&lt;/dd&gt;&lt;dd&gt;&lt;br /&gt;&lt;/dd&gt;&lt;dd&gt;&lt;br /&gt;&lt;/dd&gt;&lt;dd&gt;&lt;br /&gt;&lt;/dd&gt;&lt;dd&gt;Tenho as tripas noutra parte.&lt;/dd&gt;&lt;dd&gt;O sol saiu algures, &lt;br /&gt;mas eu não estava. &lt;br /&gt;Havia uma fonte formosa e luzes&lt;br /&gt;e uma mulher de fio de arame&lt;br /&gt;e boca de cotovia sobre a erva, &lt;br /&gt;&lt;/dd&gt;
&lt;dd&gt;pisando a erva vermelha,&lt;br /&gt;&lt;/dd&gt;
&lt;dd&gt;&lt;br /&gt;&lt;/dd&gt;
&lt;dd&gt;e eu não estava.&lt;br /&gt;&lt;/dd&gt;
&lt;dd&gt;Momento difícil. &lt;br /&gt;Passei a vida a esquecer-me. &lt;br /&gt;Acredito que é um passo reconhece-lo. &lt;br /&gt;“Sou o David, e sou anónimo&lt;br /&gt;E passei a vida a esquecer-me.” &lt;br /&gt;Depois apareceste tu, e essa é outra história, &lt;br /&gt;E agora tudo isto não tem graça nenhuma. &lt;br /&gt;Lí &lt;em&gt;As Índias negras&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;A túlipa negra &lt;/em&gt;, &lt;br /&gt;mesmo se agora não me recorde de nada. &lt;br /&gt;Esquecer é uma merda. &lt;br /&gt;Acho que me posso juntar a vocês&lt;br /&gt;porque esqueço, &lt;br /&gt;&lt;/dd&gt;
&lt;dd&gt;mas também por que vos amo, &lt;br /&gt;e porque continuo sem saber&lt;br /&gt;que demónios sois e porque diabo&lt;br /&gt;vieram. &lt;br /&gt;Todos escapamos de casa e contemplamos&lt;br /&gt;um inverno triste e complicado. &lt;br /&gt;Tiramos as cabeças debaixo dos tecto&lt;br /&gt;e não queríamos ver mais nada do que&lt;br /&gt;placas e telhados inóspitos de lata &lt;br /&gt;Eram tempos difíceis, &lt;br /&gt;&lt;/dd&gt;
&lt;dd&gt;e tu também ainda não tinhas chegado &lt;br /&gt;Te-lo-te-ia contado como se fosse um conto&lt;br /&gt;na fogueira que faríamos na cama. &lt;br /&gt;Vai arder tudo o que nós fomos&lt;br /&gt;e será bonito de se ver os fumos&lt;br /&gt;mas tudo isso esqueceremos. &lt;br /&gt;Espero que encontrem então&lt;br /&gt;o meu corpo sobre as rochas. &lt;br /&gt;Devolvam-me ao mar, no fim, &lt;br /&gt;e façam um paraíso&lt;br /&gt;com a dor da minha queda&lt;br /&gt;&lt;/dd&gt;
&lt;dd&gt;se assim o entenderem. &lt;br /&gt;Foi tão doce estar sozinho &lt;br /&gt;ao nosso lado!&lt;br /&gt;O tremendo barulho da noite&lt;br /&gt;sobre os castelos,&lt;br /&gt;as tormentas nos campos,&lt;br /&gt;o Agosto nos esquecimentos,&lt;br /&gt;as cidades desconhecidas&lt;br /&gt;&lt;/dd&gt;
&lt;dd&gt;que foram nossas para sempre,&lt;br /&gt;e a fuga indeterminável dos amantes no cinema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;border: 1px solid ; padding: 15px;&quot; ;=&quot;&quot; align=&quot;left&quot;&gt;&lt;strong&gt;&quot;A margem como vocação, a amizade como paixão&quot;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img title=&quot;Librería La Fuga, en Sevilla (Foto, UNIA/Flickr)&quot; alt=&quot;Librería La Fuga, en Sevilla (Foto, UNIA/Flickr)&quot; src=&quot;http://www.cafebabel.com/photos/lafugaunia230707.jpg&quot; align=&quot;right&quot; /&gt;O que mais nos pode surpreender em David Eloy Rodríguez, é que sentindo-se ele tão confortável no seu jogo de símbolos urbanos, decidiu todavia ficar-se por uma cidade tão extra radial e ligada ao mundo rural como Sevilha. “Uma cidade amável e convivial”, segundo ele, a dois passos de Cadix – o seu pequeno paraíso – e hoje os low-cost estão em todo o lado - em Barcelona, Paris e no resto do continente. “ É também ”, insiste, “uma cidade que me permite respirar, viver, fazer e ficar à margem da indústria cultural e ao mesmo tempo poder trazer para a literatura o que eu trouxe”. Sem embargo, é bem provável que o motivo de peso para que ele fique nesta cidade sulista prenda-se com o facto de aqui ter encontrado um dos seus “camaradas de viagem mais queridos&quot;: &lt;a href=&quot;http://lasafinidadeselectivas.blogspot.com/2007/01/jos-mara-gmez-valero.html&quot; target=&quot;”_blank&quot; ”=&quot;&quot;&gt;José María Gómez Valero&lt;/a&gt;, um outro poeta que sobressai na nova cena da poesia espanhola, com quem forma– no universo da poesia- um casal como os famosos&lt;a href=&quot;http://www.costus.es/&quot; target=&quot;”_blank&quot; ”=&quot;&quot;&gt;Costus&lt;/a&gt; ou os &lt;a href=&quot;http://www.optimistique.com/pierre.et.gilles/&quot; target=&quot;”_blank&quot; ”=&quot;&quot;&gt;Pierre et Gilles&lt;/a&gt; nas artes plásticas, ou os irmãos Cohen no cinema,se bem que os nossos poetas só o são no plano criativo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;border: 1px solid ; padding: 15px;&quot; ;=&quot;&quot; align=&quot;left&quot;&gt;&lt;a href=&quot;http://lasafinidadeselectivas.blogspot.com/2007/02/pedro-del-pozo.html&quot; target=&quot;”_blank&quot; ”=&quot;&quot;&gt;Pedro del Pozo&lt;/a&gt; ou &lt;a href=&quot;http://parquedelalamillo.org/poetas/Rese%C3%B1a.asp?Poeta=25&quot; target=&quot;”_blank&quot; ”=&quot;&quot;&gt;Juan Antonio Bermúdez&lt;/a&gt; são outros importantes camaradas de viagem de David Eloy – apelido carregado de afecção ,pelo qual o começam a nomear ora nos meios especializados, ora nas conversar telefónicas dos amantes da poesia em Sevilha, em Barcelona, em Valência …-. Os seus nomes são pilares desta paixão pelo&lt;em&gt;el pandiello&lt;/em&gt; de reminiscências quase colegiais que o poeta cultiva com uma verdadeira ternura: T-shirts riscadas nos bares, nas bibliotecas e na sala do seu apartamento sito na rua Viriato na capital andaluza. Não é por acaso que o poeta Juan Antonio Bermúdez figura como novidade editorial já para o início da próxima temporada, que David Eloy prepara na editora: Libros de la Herida. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sinceridade é dor.&lt;br /&gt;Nús debaixo da chuva,&lt;br /&gt;Como anjos vagabundos&lt;br /&gt;implorando ao céu&lt;br /&gt;que se esqueça de nós.&lt;br /&gt;Estamos feridos&lt;br /&gt;&lt;/dd&gt;
&lt;dd&gt;pelo tacto da vida,&lt;br /&gt;pelos riscos do desejo,&lt;br /&gt;pela fragilidade do ar&lt;br /&gt;&lt;/dd&gt;
&lt;dd&gt;que se escapa e morre. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;border: 1px solid ; padding: 15px;&quot; ;=&quot;&quot; align=&quot;left&quot;&gt;&lt;strong&gt;A necessidade de convocar&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1996, David Eloy publica a sua primeira obra, &lt;em&gt;Chrauf&lt;/em&gt;: um livro de um jovem de ar fresco que escolheu oferecer ao mundo (em troca das suas tripas e sem esconder as suas misérias) uma certa necessidade de redenção das suas paixões através da admiração e da alegria de viver. Trata-se de um livro feito de escarpas muito afiadas cheias de ironia e de empatia e, “que hoje ”, confessa o autor, “quando releio me faz provar o ciúme por aquele que o escreveu, pela sua coragem verbal e experimental, pelos seus desejos, que eu não vou saber reproduzir sempre. É como se eu tivesse estado numa selva à caça de elefantes! Hoje, quando eu folheio o álbum de fotos, lá estou eu a caçar elefantes…Como se eu o tivesse sonhado ”. Mas, mais concretamente, o que é que &lt;em&gt;Chrauf&lt;/em&gt; quer dizer? Nada. É uma palavra sem significado, uma palavra impossível, como se fosse o barulho dos corpos quando se evaporam. “Aos 18 anos, quando escrevi este livro, podemo-nos permitir a tudo. É como uma invocação.” As páginas de &lt;em&gt;Chrauf&lt;/em&gt; estão repletas de presenças, de companhias e de silhuetas, todas convocadas como que para as dispor num ajuste de contas, ou sentá-las à mesa com os lobos, desta vez convertida numa atracção e afectos e abraços, cujo o ponto culminante é o largo poema &lt;em&gt;Viciados &lt;/em&gt;, em particular com o poema &lt;em&gt;de los dones&lt;/em&gt; - atestado da beleza do desorientado e dos que andam desorientados.&lt;/div&gt;&lt;/dd&gt;&lt;dd&gt;&lt;br /&gt;&lt;/dd&gt;&lt;dd&gt;&lt;br /&gt;&lt;/dd&gt;&lt;dd&gt;&lt;br /&gt;&lt;/dd&gt;&lt;dd&gt;&lt;br /&gt;&lt;/dd&gt;&lt;dd&gt;&lt;br /&gt;&lt;/dd&gt;&lt;dd&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width=&quot;425&quot; height=&quot;373&quot;&gt;&lt;param name=&quot;movie&