O São Jorge dos Livreiros Franceses
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Os livreiros independentes em França adoptaram a tradição do dia de São Jorge para defender o seu ofício e promover uma ‘autêntica democracia cultural’, em pleno mês de férias do livro na Europa.
O Dia de São Jorge é uma das festas mais populares e apreciadas na Catalunha. Combina na perfeição diversos elementos: o tradicional, São Jorge é o patrono da Cataluña e o protagonista de uma lenda famosa, segundo a qual o Cavaleiro São Jorge enfrentou um dragão para salvar uma bela princesa; o cultural, pois o dia 23 de Abril coincide com a Festa do Livro; o sentimental, visto que este dia é um pouco a versão catalã da Festa de São Valentim; e por último o reivindicativo, já que durante a ditadura franquista, o 23 de Abril converteu-se em dia de luta simbólica em prol da democracia e das liberdades civis. A UNESCO declarou o dia 23 de Abril, Dia Internacional do Livro. Desde há 10 anos que em França, o dia de São Jorge é também o dia dos livreiros independentes, esses que ainda lutam para que o seu ofício perdure como tal: aconselhar ao leitor com critérios distintos, para lá dos números de exemplares vendidos. Por este motivo, a associação francesa Verbes impulsiona o dia de “Sant Jordi” (São Jorge), celebrado cada ano no sábado seguinte ao 23 de Abril, uma medida para que a iniciativa chegue a mais gente. O objectivo principal é que as pessoas se familiarizem com as livrarias de bairro e se apropriem delas enquanto consumidores. Marie Rose Guarnieri é a responsável de Verbes é a proprietária da Livravria des Abesses, no Montmartre parisiense. Foi ela quem teve a iniciativa e quem fez o apelo aos demais livreiros independentes para que se juntem numa jornada festiva: cada ano, pelo São Jorge, oferecem uma rosa por cada venda efectuada. En 2007, a flor vinha acompanhada de um manifesto e de um guia invulgar de livreiros. Nesse guia recolheu-se todas as moradas das livrarias independentes de França, fazendo-se igualmente a descrição de cada uma delas.
Nessa ocasião, pedimos a Marie Rose que nos recomendasse algum poeta francês contemporâneo. Deixamos em baixo, as sugestões da livreira:
Philippe Jaccottet: Ce peu de bruits
Natalie Quintane: Grand ensemble
Imagen: o Cavaleiro São Jorge matando o dragão (Sebastià Goralt/Flickr)